Portugal foi eleito, esta quarta-feira, 3 de junho, pela quarta vez como membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). "É uma vitória sem precedentes. É a primeira vez que é conseguida logo à primeira volta", sublinhou Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, considerando tratar-se do resultado do "trabalho feito aos longo de 13 anos por vários governos e presidentes, mas sobretudo nos últimos dois anos".O ministro assumiu ainda que é sinal de que "é apreciada a política externa" de Portugal, mas admitiu que vêm aí “dois anos desafiantes”. No final da reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro Luís Montenegro também destacou a "ocasião histórica" de a eleição ter sido obtida "pela primeira vez na primeira volta", destacando ainda que a corrida foi ganha à Áustria e à Alemanha. "Trata-se de uma grande conquista", afirmou, acrescentando que "esta vitória dignifica Portugal e projeta o país no mundo"..António José Seguro vê eleição para Conselho de Segurança como "vitória da coerência da política externa"."Portugal é um país credível, respeitado, tem intervenção e participação ao nível internacional e entendemos este mandato como mais uma demonstração desse nosso histórico. Portugal tem, no plano internacional, uma força muito superior à nossa dimensão económica ou demográfica", sublinhou Montenegro, que enalteceu também "o empenho" e o "intenso trabalho diplomático" realizado e que "uniu todos", destacando ainda o papel desempenhado por Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro, enquanto ex e atual Presidentes da República: "Ambos abraçaram com o Governo a campanha que permitiu o resultado que acabámos de alcançar."O primeiro-ministro apontou depois os caminhos para este novo mandato: "Cabe-nos a responsabilidade de, em 2027 e 2028, estarmos na mesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas e aí podermos contribuir para as decisões que são hoje, mais do que nunca, reclamadas para assegurar a paz e a segurança internacional. Esta nossa responsabilidade será assumida desde o primeiro minuto como fundamental para promover e salvaguardar os nossos valores."Montenegro assumiu ainda que Portugal tem "uma responsabilidade muito importante de ser membro não permanente do Conselho de Segurança e, por essa via, poder relançar as Nações Unidas num momento em que elas enfrentam muitos desafios numa trajetória de ser o instrumento e o palco de resolução de conflitos".Os membros da ONU reuniram-se na 80.ª Assembleia-geral para eleger cinco dos dez membros não permanentes, cuja função é zelar pela manutenção da paz, da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas. Portugal e Áustria foram eleitos pela Europa, enquanto á Zimbabué e Trindade e Tobago preenchem as vagas disponíveis para os grupos de África e da América Latina e Caraíbas..Prioridades e perfil justificam otimismo de Portugal na eleição para Conselho de Segurança da ONU