Polónia abre investigação por terrorismo após tiroteio em Cracóvia. Pais e irmã do suspeito encontrados mortos em casa
O Ministério Público polaco anunciou este domingo (8) a abertura de uma investigação por ato de “caráter terrorista” na sequência do tiroteio que, no sábado, fez seis mortos e 16 feridos, entre os quais uma portuguesa, no centro de Cracóvia.
De acordo com o comunicado do Ministério Público, a investigação abrange, entre outros crimes, o homicídio das seis pessoas na praça central da cidade, considerado uma infração de natureza terrorista, e a morte dos três familiares na residência do alegado atirador, situada em Ostrowiec Swietokrzyski, a cerca de duas horas de Cracóvia. A polícia polaca identificou as três vítimas encontradas em casa como sendo o pai, de 53 anos, a mãe, de 52, e a irmã, de 21 anos, do suspeito. Para já, as autoridades não divulgaram pormenores sobre o que terá acontecido na habitação nem sobre a eventual ligação entre estas mortes e o ataque no centro de Cracóvia.
O autor do tiroteio é um cidadão polaco de 24 anos que foi baleado pela polícia quando tentava fugir do local no automóvel a partir do qual disparou sobre a multidão. O ministro da Administração Interna da Polónia, Marcin Kierwiński, afirmou em conferência de imprensa que o suspeito do ataque é um homem de 25 anos com "posições muito radicais e fascinado por ideologias de extrema-direita".
Depois de ter sido submetido a várias intervenções cirúrgicas durante a noite de sábado para domingo, o suspeito permanece em estado crítico.
Portuguesa de 74 anos entre os 16 feridos
Entre as pessoas atingidas pelos disparos encontra-se uma cidadã portuguesa de 74 anos, natural do norte de Portugal, que estava em Cracóvia para visitar a neta, estudante de Erasmus naquela cidade. A informação foi avançada no sábado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Segundo o governante, a mulher "estava na cidade de visita a uma neta, que se encontra a fazer Erasmus" naquela cidade polaca, onde existe "uma significativa comunidade portuguesa". A vítima está hospitalizada e "já foi submetida a uma intervenção cirúrgica". Apesar da gravidade dos ferimentos, Emídio Sousa adiantou que a mulher "já não correrá risco de vida".
Segundo os dados divulgados este domingo pelas autoridades polacas, 11 dos feridos são cidadãos polacos e os restantes cinco são estrangeiros, incluindo, além da portuguesa, uma cidadã russa. O estado de saúde de 14 feridos é considerado estável, enquanto um permanece em estado grave, além do próprio suspeito que permanece em estado crítico. Entre os feridos estão também dois agentes da polícia que participaram na operação para deter o alegado atirador.
Seis mortos na praça central
O ataque ocorreu na tarde de sábado, quando o suspeito entrou de automóvel numa das zonas mais movimentadas e turísticas de Cracóvia e começou a disparar indiscriminadamente sobre as pessoas. As seis vítimas mortais são quatro mulheres e dois homens, com idades compreendidas entre os 32 e os 61 anos. Quatro eram cidadãos polacos, uma vítima era britânica e a nacionalidade da sexta não foi especificada pelas autoridades.
O presidente da câmara de Cracóvia, Lukasz Gibala, decretou luto na cidade até quarta-feira e o presidente polaco, Karol Nawrocki decretou luto nacional de dois dias.

