A Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) querem prender o empresário brasileiro da área dos combustíveis Ricardo Magro, classificado pelas autoridades como “o maior sonegador fiscal do país”. No âmbito de uma operação policial que envolveu ainda Cláudio Castro, o governador momentaneamente afastado do Rio de Janeiro, a PF pediu a inclusão de Magro, que está, ainda segundo as autoridades, foragido em Portugal, na Difusão Vermelha da Interpol nesta sexta-feira, 15 de maio.Antes, o dono do Grupo Refit morou em Miami, nos Estados Unidos, e por isso foi até tema de conversa entre as equipas de Donald Trump, presidente dos EUA, e Lula da Silva, chefe de estado do Brasil, em recente encontro entre os líderes na Casa Branca, e no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Magro é suspeito de liderar um sofisticado esquema de sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e ocultação de património no Brasil e no estrangeiro que levou a fraudes multimilionárias. A investigação detalha o uso de empresas de fachada, fundos de investimento, holdings e offshores em paraísos fiscais, além da cooptação de agentes públicos para garantir benefícios fiscais e decisões judiciais favoráveis. O grupo teria causado um prejuízo de mais de 52 mil milhões de reais (cerca de nove mil milhões de euros) aos cofres públicos, principalmente em impostos estaduais não recolhidos nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Segundo a PF, a ação investiga a suspeita de que a Refit utilizou a sua estrutura societária e financeira “para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao estrangeiro”.A PF aponta ainda na operação, chamada “Sem Refino”, que parte dos lucros era enviada para fora do Brasil, especialmente para empresas e fundos em Delaware (EUA), Bahamas, Malta e outros paraísos fiscais. O dinheiro voltava ao Brasil disfarçado de investimentos ou era usado para compra de imóveis e ativos blindados contra execuções judiciais, de acordo com a investigação. O pedido de prisão preventiva baseia-se, segundo o STF, na “gravidade dos crimes”, “risco de continuidade das fraudes” e “necessidade de garantir a aplicação da lei penal”. Magro, maior devedor do estado do Rio, segundo maior do estado de São Paulo e, por isso, maior do país, já fora alvo de diversas investigações tributárias e disputas com distribuidoras e órgãos de fiscalização nos últimos anos e citado em etapas da Operação Carbono Oculto, que investiga a presença da organização criminosa Primeiro Comando da Capital no mercado de combustíveis.Entre os alvos da PF, o nome de Cláudio Castro, governador do Rio que havia sido afastado em março por abuso de poder pelo Tribunal Superior Eleitoral, é o que tem mais impacto político. Aliado de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, Castro quer candidatar-se a senador nas eleições de outubro.