A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, iniciou esta sexta-feira, 23 de janeiro, uma visita à Gronelândia para pedir unidade e demonstrar "grande apoio" aos habitantes da ilha, que se encontram numa "situação grave" face às ambições dos Estados Unidos sobre o território."Estou aqui para demonstrar o grande apoio do povo dinamarquês aos gronelandeses. Este é um momento em que precisamos de estar muito, muito unidos. Estamos numa situação grave", declarou.Na sua visita a Nuuk, Mette Frederiksen discutiu com o chefe do executivo da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, o acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos e a NATO para reforçar a segurança no território autónomo dinamarquês e no Ártico e a abordagem diplomática conjunta que pretendem seguir."Jens-Frederik Nielsen e eu precisamos de estar juntos nestes tempos, por isso diria que foi um dia de trabalho, no qual preparámos os próximos passos para o Reino da Dinamarca", disse Frederiksen à emissora pública dinamarquesa DR.A chefe do Governo de Copenhaga indicou que seguirá agora o caminho diplomático e político em conjunto com a Gronelândia para enfrentar a situação criada pela ambição do Presidente norte-americano, Donald Trump, de controlar o território.As declarações seguiram-se a um almoço de trabalho com Nielsen, que se recusou a fazer comentários, e com quem percorreu depois as ruas de Nuuk, segundo a emissora DR.Frederiksen chegou esta sexta-feira a Nuuk proveniente de Bruxelas, onde se reuniu com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte."A Dinamarca continua a dar um forte contributo para a nossa segurança comum e está a aumentar os seus investimentos para fazer ainda mais", declarou Rutte nas redes sociais.O secretário-geral da Aliança Atlântica acrescentou que está a trabalhar em conjunto com Copenhaga “para garantir a segurança de toda a NATO", com vista a reforçar a cooperação e "melhorar a dissuasão e a defesa no Ártico".A líder dinamarquesa concordou, na rede social X, que “a NATO deve aumentar o seu compromisso no Ártico”, cuja defesa e segurança “diz respeito a toda a Aliança".. Ao longo do último mês, Trump intensificou a sua retórica relativamente ao seu interesse em adquirir a Gronelândia, invocando preocupações com a segurança nacional e do Ártico, que alega ter sido negligenciada.A Dinamarca e outros sete aliados europeus da NATO reforçaram a sua presença militar na Gronelândia na semana passada, levando o líder da Casa Branca a ameaçar com o agravamento de tarifas comerciais e deixando no ar a possibilidade do uso da força, acabando por recuar na quarta-feira, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos na Suíça, no seguimento de um acordo preliminar com a NATO.Segundo Trump, trata-se de "um acordo de longo prazo para a segurança nacional e internacional", que está numa fase avançada e será divulgado em breve.A Dinamarca e a Gronelândia, no entanto, sublinham que nada foi negociado relativamente à sua soberania e integridade territorial.O comando militar dinamarquês informou na quinta-feira que as manobras do exército — por terra, mar e ar — vão continuar ao longo do ano, juntamente com os aliados da NATO, e que mais membros da organização transatlântica poderão juntar-se.O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, insistiu esta sexta-feira que o que foi estabelecido com Washington é uma estrutura, não um acordo em si, que ainda tem de ser negociado com a Dinamarca e a Gronelândia.O chefe da diplomacia de Copenhaga e a sua homóloga gronelandesa, Vivian Motzfeldt, concordaram na semana passada em Washington, num encontro com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, com a criação de um grupo de trabalho conjunto para estudar as preocupações de segurança dos Estados Unidos, sem ultrapassar os limites da soberania dinamarquesa e do direito à autodeterminação dos quase 57.000 habitantes da ilha."Não vamos anunciar quando é que estas reuniões vão acontecer porque é necessário evitar criar drama à volta disto. Devemos evitar notícias de última hora e ter um processo tranquilo. E já está em curso, mas não posso dizer quanto tempo vai durar", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês.Os países da União Europeia (UE) reafirmaram na quinta-feira à noite o seu "total apoio" à Dinamarca e à Gronelândia, no final de uma cimeira extraordinária de líderes em Bruxelas, e alertaram que têm "o poder e os meios" para se defenderem contra qualquer forma de coação.A Comissão Europeia pretende manter as tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, no valor de 93 mil milhões de euros, congeladas por mais seis meses, explicou esta sexta-feira o porta-voz do executivo comunitário para o Comércio.Olof Gill observou que a Comissão Europeia quer implementar o acordo comercial que alcançou com Washington no verão passado, o qual permite aos Estados Unidos exportar os seus produtos industriais sem tarifas alfandegárias, embora também tenha observado que Bruxelas pode ativar medidas retaliatórias "se necessário, a qualquer momento"..Trump promete “grande retaliação” se a Europa vender ações e obrigações dos EUA