Ópera Nacional de Washington deixa o palco do Kennedy Center por restrições financeiras impostas por Trump
A Ópera Nacional de Washington vai deixar de atuar no Kennedy Center, rebatizado Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para as Artes Cénicas, a sua casa desde 1979. Restrições financeiras impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump foram as razões invocadas.
A instituição comunicou sexta-feira esta despedida e afirmou que irá procurar uma “transição amigável”.
A temporada da primavera será reduzida e as apresentações terão lugar noutros palcos, com vista a "cumprir as suas obrigações de manter um orçamento equilibrado", disse em comunicado.
Ric Grenell, um dos assessores de Trump, nomeado para diretor executivo interino do centro, afirmou que a instituição gastou milhões de dólares em apoios à Ópera Nacional de Washington, que continua a registar défice nas contas.
Na rede social X, Ric Grenell defendeu que a separação do centro e da ópera proporcionará “a flexibilidade e os fundos necessários para trazer óperas de todo o mundo e dos Estados Unidos”.
Os responsáveis da ópera afirmam que o novo modelo de negócios do centro exige que as produções sejam totalmente financiadas com antecedência, o que, defendem, é “incompatível com as operações da ópera”.
A venda de ingressos cobre apenas uma fração dos custos de produção, e as companhias de ópera dependem de subsídios e doações para suprir a diferença, esclarecem.
O comunicado da Ópera Nacional de Washington não faz qualquer menção ao facto do novo conselho do Kennedy Center ter acrescentado o nome de Donald Trump ao edifício.
O Congresso norte-americano continua a designar formalmente o espaço de John F. Kennedy Center for the Performing Arts, mas na fachada e no site já consta o nome Trump Kennedy Center.
Artistas como Lin-Manuel Miranda, criador de Hamilton, e Peter Wolf cancelaram eventos no Kennedy Center desde que Donald Trump destituiu a antiga administração no início do ano passado e se auto nomeou presidente do conselho. A mudança de nome para Trump Kennedy Center, em dezembro, levou a uma nova onda de cancelamentos.

