Pausa nos ataques dos EUA ao Irão após Trump ser alertado para escassez de munições
Após 13 dias de bombardeamentos americanos consecutivos, o fim de semana foi de pausa nas operações militares contra o Irão. Uma acalmia que, segundo a CNN revelou este domingo, 26 de julho, pode estar relacionada com os alertas deixados por altas figuras da Administração ao presidente Donald Trump na sexta-feira. Numa reunião de alto nível, o vice-presidente JD Vance e o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o general Dan Caine, manifestaram ambos a sua preocupação quanto a uma escalada da guerra no Irão. Um cenário que o presidente estaria a ponderar, perante o impasse negocial.
Caine, no cargo desde fevereiro de 2025, alertou especificamente sobre o impacto da escalada do conflito no stock de munições dos EUA. O general terá sublinhado a preocupação de que a intensificação da guerra pudesse esgotar perigosamente as já reduzidas reservas do Pentágono de intercetores antimísseis Patriot e outras munições de defesa aérea no Médio Oriente.
Com esta pausa nos ataques americanos - e nos contra-ataques iranianos contra alvos dos EUA nos países vizinhos - o diálogo parece voltar a ser uma opção. Segundo a agência turca Anadolu, os mediadores do Paquistão e do Qatar intensificaram a troca de mensagens entre os EUA e o Irão depois de as duas partes em conflito terem comunicado as suas respostas a uma proposta conjunta para pôr fim à guerra, que já dura desde os ataques israelo-americanos de 28 de fevereiro. Islamabad e Doha propuseram a Washington e Teerão uma fórmula conjunta para a redução da tensão, instando os dois lados a regressarem às posições anteriores a 9 de julho “como primeiro passo” para retomar as negociações, que se encontravam num impasse.
Mike Waltz, o embaixador dos EUA na ONU, confirmou que o presidente Trump suspendeu os ataques ao Irão para dar mais margem à diplomacia. “Ele está a dar algum espaço às negociações, está a dar-lhes um pouco de margem”, disse à Fox News.
Esta pausa nas operações militares surge também em véspera da visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na terça-feira, 28 de julho, a Washington.
Nos últimos dois dias decorreram também, em Teerão, conversações entre os vice-ministros dos Negócios Estrangeiros do Irão e de Omã sobre o futuro do Estreito de Ormuz.
Mas a tensão naquela passagem marítima por onde circula cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural, continua alta. Não só os EUA mantém o bloqueio aos portos iranianos, como os media do Irão, citados pela Al-Jazeera, davam conta este domingo de que um petroleiro que se teria desviado da rota autorizada teria explodido ao colidir com uma mina naval no Estreito de Ormuz.

