Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros
Paulo Rangel, ministro dos Negócios EstrangeirosFOTO: TIAGO PETINGA/LUSA

Paulo Rangel reúne-se com homólogo paquistanês e destaca "perspetiva positiva" de negociações

Ministro sublinha que a segurança alimentar no continente africano "está comprometida" com o encerramento do estreito do Ormuz, frisando que esta é uma guerra que diz respeito a todo o mundo.
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O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, indicou esta quarta-feira, 27 de maio, que se encontrou com o homólogo paquistanês em Nova Iorque, destacando a "perspetiva positiva" de Mohammad Ishaq Dar face às negociações para acabar com a guerra no Irão.

"Ontem [terça-feira] tive um encontro com o vice-primeiro-ministro e ministro dos Estrangeiros do Paquistão, com quem tenho falado muitas vezes desde que começou este conflito, mas que está aqui em Nova Iorque, e evidentemente é o mediador [entre Washington e Teerão]. Eu julgo que ele tem uma perspetiva positiva sobre aquilo que pode ocorrer, mas evidentemente este é um processo muito delicado", afirmou Rangel aos jornalistas, à margem de uma cerimónia de homenagem às vítimas portuguesas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

"Vai ter várias fases. Correndo bem, esta fase inicial terá ainda várias fases. Portanto, nós [estamos], com expectativa, mas com um grande incentivo a que todos os envolvidos possam apostar na diplomacia e numa solução pacífica para este conflito, que possa restaurar, por um lado, a paz na região do Golfo, e por outro, a libertação integral do estreito de Ormuz e a liberdade de navegação", acrescentou.

Para Rangel, todos estes são objetivos fundamentais, "não só para a paz no mundo, como também para o retomar de uma fase de desenvolvimento económico e prosperidade grande".

O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que a segurança alimentar no continente africano "está comprometida" com o encerramento do estreito do Ormuz, frisando que esta é uma guerra que diz respeito a todo o mundo.

"E, por isso, eu vejo um grande empenhamento. Pude testemunhar isso em vários encontros que tive ontem, além daquele que tive com o ministro do Paquistão: um grande empenhamento da comunidade internacional em favorecer as condições de diálogo diplomático", assegurou Rangel, que se encontra em visita a Nova Iorque a propósito das eleições para o Conselho de Segurança da ONU, nas quais Portugal é candidato a um lugar de membro não permanente.

Os Estados Unidos e o Irão intensificaram os contactos indiretos na última semana, através de mediadores do Paquistão, para chegar a um acordo que ponha fim à guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro.

A televisão estatal iraniana divulgou hoje uma minuta de um acordo preliminar que incluiria a reabertura do estreito de Ormuz e o adiamento das negociações sobre o programa nuclear de Teerão, mas a Casa Branca desconsiderou o documento, classificando-o como falso.

No texto, o Irão comprometia-se a permitir o tráfego marítimo comercial através do estreito de Ormuz nos níveis pré-guerra no prazo de um mês, num processo a ser gerido em conjunto com Omã.

Por sua vez, segundo o esboço do acordo negocial, os Estados Unidos levantariam o bloqueio aos portos e navios iranianos e retirariam as suas forças armadas das proximidades da República Islâmica.

Depois disso, os dois países teriam 60 dias para negociar as restantes questões que separam as partes.

Em causa, deverão estar o programa de enriquecimento de urânio e de produção de mísseis de longo alcance do Irão, bem como o seu apoio a grupos armados no Médio Oriente, a par do descongelamento de ativos iranianos no estrangeiro e levantamento de sanções internacionais a Teerão.

Sobre estes dois últimos assuntos, o Presidente norte-americano, Donald Trump, negou igualmente negociações para um possível alívio das sanções ou a libertação de fundos iranianos.

Trump declarou hoje que ainda não está satisfeito com o resultado das negociações com o Irão e voltou a colocar a hipótese de retomar a ofensiva militar para "terminar o trabalho".

As negociações foram abaladas nos últimos dias por ataques norte-americanos contra pontos de lançamento de mísseis e barcos de plantação de minas no sul do Irão.

Os Estados Unidos alegaram que agiram com “moderação” face ao cessar-fogo em vigor desde 08 de abril, enquanto o Irão condenou estas ações como um sinal de “má-fé e falta de fiabilidade”.

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