Mais de 400 pessoas mortas e 265 feridas é o balanço provisório feito na terça-feira de manhã pelo Ministério da Saúde afegão na sequência de um bombardeamento que atingiu um centro de tratamento para toxicodependentes em Cabul na segunda-feira à noite. O Paquistão negou ter atacado o hospital Omid e afirmou que os seus alvos são exclusivamente militares.Enquanto o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid acusou o Paquistão de “alvejar hospitais e locais civis para perpetrar horrores”, o ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, disse que o seu país tinha como alvo instalações que "estão a ser usadas direta ou indiretamente para planear, facilitar, abrigar, treinar ou auxiliar ataques terroristas dentro do Paquistão”.Este foi o mais recente episódio de um conflito reiniciado no final de fevereiro, após o Afeganistão lançar ataques transfronteiriços em resposta a ataques aéreos do Paquistão. Islamabad declarou estar em “guerra aberta” contra o Afeganistão, depois de um cessar-fogo mediado pelo Qatar em outubro. .Em paralelo à “guerra aberta” de Islamabad aos talibãs, o Afeganistão acolheu o regresso de mais de 270 mil refugiados das guerras no Irão e na fronteira com o Paquistão..A escalada de tensões agravou-se na sequência de o Paquistão ter fechado as principais passagens ao longo da sua fronteira de 2600 quilómetros com o Afeganistão em meados de outubro, depois de terem ocorrido confrontos ao longo da fronteira. As autoridades paquistanesas justificaram a medida pelo alegado apoio e abrigo do governo afegão à milícia paquistanesa Tehrik-e-Taliban, que intensificou os ataques no noroeste do Paquistão desde a retirada dos EUA do Afeganistão em 2021. Em paralelo, regista-se um fluxo de afegãos de regresso ao país. Segundo Cabul, mais de 270 mil afegãos regressaram ao Afeganistão oriundos dos vizinhos Irão e Paquistão desde o início do ano e mais de 32 mil em fuga das guerras. O porta-voz do Ministério dos Refugiados e da Repatriação, Abdul Mutalib Haqqani, citado pela EFE, explicou que esta situação veio agravar a crise de refugiados que o seu país já enfrentava devido às deportações para o seu território. Segundo a ONU, e só em 2025, 2,6 milhões de afegãos foram expulsos do Paquistão e do Irão, aumentando as dificuldades de um país isolado, mas dependente da ajuda internacional. “A crise humana é agravada por cortes significativos de financiamento, pelo aumento das necessidades, incluindo devido ao retorno em larga escala de refugiados, e pelas políticas das autoridades de facto que priorizam a rigidez ideológica em detrimento do bem-estar do povo afegão”, disse a responsável pela missão da ONU no país (UNAMA), Georgette Gagnon, perante o Conselho de Segurança, na semana passada, enquanto se avaliava o futuro da missão. Na segunda-feira, o mandato da UNAMA foi renovado, mas apenas por três meses, como sugerido pelos EUA. Até lá, o Conselho de Segurança vai avaliar pela continuidade ou pelo fim da missão à qual foram expulsas as funcionárias.Este ano, a ONU planeia organizar um programa humanitário de 1,7 mil milhões de dólares para assistir 17,5 milhões de pessoas. Porém, falta 90% do financiamento para atingir o valor.