Em comunicado enviado às redações ao final da tarde desta segunda-feira, dia 29 de junho, a Ordem dos Médicos anuncia que, através do seu Gabinete de Apoio Humanitário (GAHOM), “está a identificar potenciais voluntários, preferencialmente médicos venezuelanos ou lusodescendentes, para constituir uma bolsa que preste apoio na recuperação e reconstrução da resposta médica na Venezuela”. Segundo explica, a dimensão da catástrofe justifica que o faça, já que é “urgente o reforço das equipas no terreno”. E foi neste sentido que o GAHOM “ativou os mecanismos de identificação internos que permitam criar uma reserva de médicos que poderão integrar uma resposta do Estado português ou de organizações não governamentais, devidamente certificadas e de credibilidade”.No mesmo documento é referido que esta informação já foi disponbilizada ao Ministério da Saúde, ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, assegurando total articulação institucional. “Estamos a identificar potenciais voluntários para futuras missões a médio e longo prazo. Os danos provocados pelos sismos vão exigir um apoio médico robusto nos próximos anos. A nossa preocupação é contribuir para a reconstrução da resposta em saúde e ajudar a estancar os previsíveis problemas saúde gerados pela catástrofe”, explica Vítor Almeida, coordenador do GAHOM.Para o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, esta situação justifica-se também porque os “médicos portugueses têm uma vasta experiência e capacidade de resposta em cenário de crise. A urgência de hoje dará lugar à necessidade de um apoio mais integrado e estratégico nos próximos meses e é nisso que já estamos a trabalhar.” Transmitindo ainda que “a Ordem dos Médicos reafirma o seu compromisso com a solidariedade internacional, com a defesa da vida e com o apoio às populações afetadas por catástrofes naturais, colocando o conhecimento e a competência dos médicos portugueses ao serviço das operações que venham a decorrer na Venezuela.”De acordo com o último balanço, feito esta segunda-feira à tarde, o número de mortos subiu para 1450, desde que se registou o sismo de 7,5 na escala de Richter, na passada quarta-feira, dia 24, na Venezuela, o de feridos para mais de três mil, havendo ainda mais de 50 mil desaparecidos. O número de vítimas mortais portuguesas ou lusodescendentes já está em 56 e em 91 que se mantém desaparecidos.Segundo anunciaram as autoridades locais, as escolas vão manter-se encerradas, pelo menos, mais uma semana, pois estão a ser usadas como centros de emergência e abrigo para desalojados. A trabalhar nas operações de resgate estão mais de 2500 socorristas do mundo inteiro, tendo partido já de Portugal dois aviões com 64 elementos. Ao país, já chegaram cerca de 84 toneladas de bens essenciais e medicamentos..Venezuelanos criticam ritmo das buscas com quase 51.000 ainda desaparecidos após os sismos.Sismo na Venezuela. 17 portugueses vão ser repatriados e devem chegar esta terça-feira