O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou este domingo, 28 de junho, que o número oficial de vítimas dos sismos de quarta-feira havia subido para 1430 mortos e 3238 feridos, adiantando ainda que 3142 famílias continuavam desalojadas e estavam a receber assistência em abrigos temporários montados nos sete estados afetados. O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos na Venezuela subiu para 51, segundo um novo balanço divulgado ontem pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que avançou ainda que estão desaparecidos ou incontactáveis 84 portugueses ou lusodescendentes. Entre os 51 mortos estão sete crianças e 44 adultos, sendo que 44 são lusodescendentes, seis são portugueses e um tem nacionalidade portuguesa por casamento.Quanto ao número total de desaparecidos, dados avançados pelos media venezuelanos apontavam para 50.947, o que está em linha com os mais de 50.000 revelados pelas Nações Unidas. Vindas de várias partes do mundo têm chegado à Venezuela equipas de resposta a emergências para apoiar os 30.000 mil especialistas venezuelanos que lideram as operações de busca e salvamento - segundo a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, 24 países prestaram apoio até à data, enviando 521 toneladas de mantimentos, 86 equipas com cães e mais de 2741 profissionais de busca, resgate e apoio.Ao mesmo tempo, centenas de civis têm usado pás, cordas e as próprias mãos sobre montes de betão em La Guaira, um dos estados mais atingidos, numa tentativa de encontrar familiares, vizinhos e amigos. Numa altura em que muitos acusam o governo de estar a responder de forma inadequada a esta tragédia, perante a noção de que as primeiras 72 horas são as mais cruciais para o sucesso dos resgates e que esse período já passou. “Há uma pilha de corpos ali, de ontem [sábado] à noite. Recém-nascidos”, disse à AP Mileidy Romero, uma das pessoas civis que realizou buscas na cidade costeira de Caraballeada. “Às 20.00, havia pessoas vivas lá em baixo, e não se deram ao trabalho de as resgatar. Localizámos vários corpos, e também não nos ajudaram a recuperá-los. De que estão à espera?”, criticou. De acordo com uma estimativa preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e divulgada este fim de semana, os danos físicos diretos dos sismos deverão totalizar 6,7 mil milhões de dólares (cerca de 5,8 mil milhões de euros), ou 6% do PIB venezuelano, impulsionados por perdas em habitações e ativos económicos. O valor não inclui danos nas infraestruturas, perturbações económicas mais amplas nem custos de reconstrução a longo prazo. Uma outra estimativa, feita pela Organização Internacional para as Migrações, indica que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos sismos. As projeções incluem até dois milhões de pessoas só em Caracas.“As primeiras horas e os primeiros dias após um desastre são decisivos. Moldam tudo o que se segue”, afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM. “Já é claro que a deslocação aumentará à medida que as pessoas procuram segurança. Uma resposta rápida é essencial para prestarmos assistência vital e apoiarmos o povo da Venezuela durante os dias e meses difíceis que se avizinham.”.Menino de 11 anos encontrado vivo na Venezuela três dias após abalos.Sismo de 1812 teve impacto político na Venezuela. O que acontecerá depois deste duplo abalo?