ONU preocupada com uso excessivo da força nas manifestações
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou a violência resultante das manifestações recentes em diversos países europeus, e mostrou-se preocupado com o uso excessivo da força por parte das polícias.
Em comunicado, Volker Türk apelou para o diálogo e lembrou o direito de protestar pacificamente. Lamentou "as ações daqueles que aproveitam os protestos para cometer atos de violência e vandalismo contra bens públicos e privados" e defendeu que estes devem ser "responsabilizados individualmente".
O austríaco mostrou-se "preocupado com relatos de uso desnecessário e excessivo da força contra manifestantes, incluindo crianças". Os Estados "devem garantir que qualquer resposta das forças de segurança seja legal, necessária e proporcional", prosseguiu. Defendeu investigações independentes e céleres às alegações de uso ilícito da força, "com responsabilização e mecanismos de reparação eficazes para as vítimas".
Tendo reconhecido que algumas autoridades já agiram para investigar o sucedido, bem como para "reduzir tensões", Türk apelou para que os governos ouçam as "preocupações legítimas e fundamentais sobre direitos humanos relacionados com a educação, serviços públicos, habitação, aumento do custo de vida e desigualdade" e que envolva os manifestantes, "em especial os mais jovens", num diálogo.
Da Albânia a Portugal, vários têm sido os países em que, nos últimos dias, as manifestações descambaram em violência. O alerta de Türk relativo às crianças terá como destinatário principal a Itália. Entre os 271 detidos no sábado e domingo, 200 eram menores, alguns dos quais com 12 e 13 anos. Em França e Itália, os movimentos de protesto prometem voltar às ruas no próximo sábado.

