OMS procura mais de 80 passageiros do avião onde viajou mulher infetada com hantavírus
FOTO: EPA/ELTON MONTEIRO

OMS procura mais de 80 passageiros do avião onde viajou mulher infetada com hantavírus

A neerlandesa de 69 anos, cujo marido morreu a bordo do navio cruzeiro, foi transferida da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, onde faleceu com sintomas da doença.
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) procura localizar os mais de 80 passageiros a bordo do avião em que uma passageira neerlandesa de um navio cruzeiro, infetada com hantavírus, foi transferida da ilha de Santa Helena para Joanesburgo.

A neerlandesa, de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, morreu a bordo do navio cruzeiro, aterrou em Santa Helena em 24 de abril "com sintomas gastrointestinais" e embarcou num voo no dia seguinte para Joanesburgo, na África do Sul, segundo divulgou esta terça-feira, 5 de maio, a OMS.

A mulher morreu num hospital em 26 de abril, e a sua infeção por hantavírus foi confirmada na segunda-feira.

"Foi iniciada uma busca para localizar os passageiros" do voo que operava esta rota, acrescentou a organização em comunicado.

As autoridades procuram pessoas de um voo operado pela companhia aérea sul-africana Airlink a 25 de abril, com 82 passageiros e seis tripulantes a bordo, indicou à agência France-Presse (AFP) Karin Murray, diretora de vendas e marketing da Airlink.

A OMS, através da sua diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação, Maria Van Kerkhove, indicou suspeitar de "transmissão de pessoa para pessoa entre indivíduos em contacto muito próximo".

Apenas um voo semanal liga Joanesburgo a esta ilha remota do Atlântico Sul, e o voo tem uma duração aproximada de quatro horas.

As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que informe os passageiros afetados para que contactem o Ministério da Saúde caso ainda não tenham sido contactados, acrescentou Murray.

O navio MV Hondius, suspeito de ser um foco de hantavírus, deverá abandonar o arquipélago de Cabo Verde nas próximas horas, após a evacuação médica de dois tripulantes doentes e de um caso de contacto.

De seguida, o navio deverá seguir para as Canárias ou para os Países Baixos, adiantou na terça-feira à AFP Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde.

A OMS reportou no domingo três mortes ligadas a um possível surto de hantavírus, que pode causar síndrome respiratória aguda, a bordo do navio.

O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.

Canárias recebe dentro de 3 a 4 dias navio cruzeiro com surto de hantavírus

Espanha vai entretanto receber nas Canárias o navio de cruzeiro afetado com um surto de hantavírus, dentro de 3 a 4 dias, anunciou o Ministério da Saúde espanhol, especificando que "o porto de chegada exato ainda não foi determinado".

O Ministério da Saúde espanhol referiu, em comunicado, que os detalhes do protocolo vão ser divulgados assim que forem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Mais tarde vai também divulgar "atualizações oportunas" sobre a implementação do protocolo, que aceitou "em conformidade com o direito internacional e no espírito do humanitarismo".

O ECDC está "a realizar uma inspeção minuciosa ao navio para determinar quais as pessoas que precisam de ser retiradas com urgência de Cabo Verde. Os restantes seguirão para as Canárias, onde a previsão é de chegada em três ou quatro dias. O porto específico ainda não está definido", explicou o Ministério da Saúde.

Uma vez no porto espanhol, a tripulação e os passageiros "serão devidamente examinados, receberão os cuidados necessários e serão transferidos para os respetivos países".

"Tanto o atendimento médico como as transferências serão realizados em espaços e transportes especiais, especificamente preparados para esta situação, evitando qualquer contacto com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde em todos os momentos", garantiu ainda.

De acordo com o Governo espanhol, a OMS explicou que Cabo Verde não pode realizar esta operação e que as Canárias são "o local mais próximo com as capacidades necessárias".

"A Espanha tem a obrigação moral e legal de prestar assistência a estas pessoas, entre as quais se encontram vários cidadãos espanhóis", acrescentou o Governo, divulgando ainda que aceitou um pedido formal do Governo dos Países Baixos para receber o médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave e será transportado hoje para as Canárias num avião-hospital.

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