OMS alerta que epidemia de Ébola na República Democrática do Congo pode tornar-se na pior da história
O Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou esta quarta-feira, 12 de agosto, que a atual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) está a avançar a um ritmo tão acelerado que pode tornar-se na pior da história.
"É já a segunda pior epidemia de que há registo e está a avançar mais rapidamente do que qualquer outra anterior. Ao ritmo atual, poderá superar a epidemia que afetou a África Ocidental de 2014 a 2016", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa.
Uma semana depois de visitar a RDCongo para avaliar a resposta atual à crise sanitária, o responsável da OMS expressou a sua preocupação perante os números, cerca de 4.400 casos e mais de 2.000 mortos.
"O surto está muito à nossa frente, ainda está bastante avançado e estamos a tentar alcançá-lo", reconheceu Tedros, que indicou que um dos aspetos mais preocupantes é o número ainda elevado de mortes fora dos centros de tratamento e em áreas onde não tinha sido identificado qualquer novo contacto anteriormente.
"Isto mostra-nos que existem cadeias de transmissão das quais não temos conhecimento e, até que as identifiquemos e interrompamos, não a conseguiremos travar", alertou.
O diretor-geral da OMS realçou que o rastreio de contactos é uma prioridade máxima, para que todos os casos suspeitos recebam cuidados e para atingir a meta de 95% necessária para interromper a transmissão, embora a taxa atual seja de apenas 80%.
"Precisamos também de recrutar e formar três profissionais de saúde para cada doente — isto representa mais milhares do que temos atualmente", reconheceu.
Numa nota positiva, Tedros observou que duas vacinas especificamente desenvolvidas contra a variante Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pela atual epidemia, estão na fase 1 de testes em humanos e "provaram ser seguras", embora o seu desenvolvimento possa demorar vários meses, segundo os especialistas.
Estudos em animais mostraram também indícios de que a vacina Ervebo contra a variante Zaire, mais conhecida do que a Bundibugyo por ter sido responsável por mais surtos no passado, pode ser eficaz na epidemia atual. É por isso que a OMS recomendou na semana passada que os testes em humanos comecem o mais rapidamente possível.
A epidemia atual, declarada a 15 de maio em Ituri (província que faz fronteira com o Sudão do Sul e o Uganda), ainda está longe de ser a pior da história, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016 e causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções, afetando principalmente a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa.

