Barack Obama durante um comício democrata em Detroit
Barack Obama durante um comício democrata em DetroitARI SAPERSTEIN/EPA

Obama e Trump trocam ataques na reta final para as eleições intercalares

O antigo presidente voltou aos palcos para atacar as prioridades da administração republicana e irritou Trump com uma piada sobre as obras de remodelação na Casa Branca.
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Barack Obama regressou à linha da frente da campanha democrata a pouco mais de uma semana das eleições intercalares de 3 de novembro, assumindo um papel de destaque no combate político a Donald Trump. O antigo presidente percorreu nos últimos dias estados decisivos, incluindo Ohio, Michigan e Geórgia, para apoiar candidatos democratas e criticar a governação republicana, não poupando nas críticas diretas a Trump. Mas foi sobretudo uma “piada” de Obama sobre as remodelações do atual presidente na Casa Branca que fez escalar a troca de declarações nesta reta final da campanha.

O momento que mais tem dado que falar surgiu quando Obama ridicularizou as alterações promovidas por Trump na Casa Branca, entre as quais a construção de um salão de baile. “Parece que Saddam Hussein abriu uma Cheesecake Factory”, afirmou, numa alusão ao antigo ditador iraquiano e à cadeia norte-americana de restaurantes conhecida pela decoração exuberante e pelos extensos menus.

A piada serviu para alavancar uma crítica mais ampla às prioridades presidenciais, com Obama a lembrar, em contraponto, as dificuldades económicas enfrentadas pelos norte-americanos, pressionados pelo aumento dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis provocado pela guerra iniciada por Trump e pelo seu aliado israelita Netanyahu contra o Irão.

Desde então, Trump e os membros da sua administração têm desfiado elogios à rede de restaurantes, procurando criticar Obama por tentar ridicularizar uma marca querida dos americanos só para atingir o atual presidente. Trump saiu também em defesa das obras de renovação na Casa Branca e rapidamente passou ao ataque pessoal ao antecessor, a quem chamou “estúpido” e acusou de ter sido um mau Presidente. “A Casa Branca é o principal símbolo do nosso país, e não podemos ter uma Casa Branca com janelas partidas, com pedras quebradas que não são pintadas há 30 anos", disse Trump, num comício no Ohio, esta quarta-feira.

Trump procurou ainda desvalorizar a influência eleitoral de Obama, lembrando o apoio que este deu a Hillary Clinton e Kamala Harris, ambas derrotadas nas eleições presidenciais em que participaram. “Ele perdeu”, repetiu, numa tentativa de reduzir o peso político do antigo chefe de Estado.

"Não são pessoas sérias", acusa Obama

Na Geórgia, nesta quarta-feira, Obama procurou esclarecer que a sua ironia não era dirigida à cadeia de restaurantes nem aos seus clientes, assumindo-se mesmo como um deles. “Sou pai de duas filhas. Vocês acham que eu teria sobrevivido à infância delas sem frequentar o Cheesecake Factory?", disse Obama. "Eu vivia no Chuck E. Cheese e no Cheesecake Factory. Claro, o verdadeiro problema é que os preços subiram tanto que muita gente mal consegue se dar ao luxo de comer fora."

O antigo Presidente apresentou a polémica como um exemplo do que considera ser uma estratégia da administração Trump: desviar a atenção dos problemas concretos através de controvérsias mediáticas. “Não são pessoas sérias”, afirmou, referindo-se aos responsáveis republicanos, por entender que não apresentam soluções para questões fundamentais.

As críticas de Obama estenderam-se à política económica e externa. O democrata responsabilizou Trump pelo aumento do custo de vida, contestou as tarifas comerciais e condenou a guerra contra o Irão, que classificou como desnecessária. Também dirigiu críticas ao secretário da Defesa, Pete Hegseth, a propósito das suas posições sobre a aparência física dos militares. E até enriquecimento pessoal de Trump e de várias pessoas em seu redor. “Mas o que o irritou verdadeiramente foi a decoração da Casa Branca. Mobilizaram uma resposta governamental completa para aquela piada – não para a inflação, mas para aquela piada”, concluiu Obama.

Quase dez anos depois de ter deixado a Casa Branca, Obama continua a ser uma das suas principais figuras de mobilização dos democratas e a sua presença nos comícios nesta reta final procura dar visibilidade à contestação a Trump e apoiar candidatos em estados decisivos para umas eleições intercalares cruciais para o Partido Democrata tentar recuperar a maioria numa das câmaras do Congresso. Nas eleições de 3 de novembro serão renovados os 435 lugares da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, atualmente sob controlo republicano.

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