Peter Magyar perante milhares de apoiantes para o discurso de vitória.
Peter Magyar perante milhares de apoiantes para o discurso de vitória.EPA/Tibor Illyes

Novo PM húngaro Peter Magyar com 'supermaioria': "Recuperámos o nosso país"

Húngaros votaram em massa nestas eleições, com uma participação superior aos 77%. Novo primeiro-ministro assegurou a "supermaioria" parlamentar.
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O novo primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, fez este domingo à noite o discurso de vitória eleitoral com as palavras: "Recuperámos o nosso país."

Falando perante milhares de apoiantes num palco montando frente ao Parlamento, Magyar disse tratar-se de uma "vitória sem precedentes", apontando à "supermaioria" que, à hora que discursava, podia ser dada como praticamente garantida.

o seu partido, o Tisza, assegurou mesmo mais de 2/3 dos lugares no Parlamento.

ICom 98,53% dos votos contados, o Tisza surge nos resultados oficiais como conquistando 138 mandatos no Parlamento (de 199 lugares), alcançando a supermaioria de dois terços (133) com o Fidesz e os aliados do Partido Popular Democrata-Cristão (KDNP, na sigla original) a ter 55. A extrema-direita do Movimento Nossa Pátria (Mi Hazank) elege seis.

"Conseguimos: o Tisza e a Hungria ganharam estas eleições. Não por pouco, mas por uma margem enorme, uma vitória verdadeiramente esmagadora", declarou o candidato conservado. “Juntos, deitámos abaixo o regime de Orbán. Libertámos a Hungria, reconquistámos a nossa pátria.”

Magyar discursou já após o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ter admitido a derrota nas eleições e felicitado o líder da oposição, Péter Magyar, pela vitória.

"O primeiro-ministro Viktor Orbán felicitou-nos pela nossa vitória ao telefone", escreveu Magyar no Facebook, minutos antes do próprio Orbán falar em público.

Orbán disse que o resultado era doloroso para o Fidesz, mas também claro. O partido que governou nos últimos 16 anos não terá de novo a responsabilidade de governar, pelo que tinha dado os parabéns ao adversário - um antigo aliado tornado rival.

O líder do Fidesz prometeu também não desistir, dizendo que servirá o país e a nação húngara desde a oposição.

Os primeiros resultados começaram a ser revelados uma hora depois do fecho das urnas, que ocorreu às 19h00 locais (18h00 em Lisboa).

Os eleitores húngaros foram este domingo eleger 106 deputados em círculos eleitorais únicos, onde vence o candidato com mais votos, e outros 93 em listas nacionais.

Após o fecho das urnas, foram conhecidos os resultados das últimas sondagens feitas antes da votação (e entretanto sob embargo), que deram então a vitória à oposição.

Magyar disse imediatamente estar "cautelosamente otimista em relação ao resultado", após serem conhecido estas sondagens, mas mais tarde, com a contagem a avançar, limitou-se a escrever no Facebook: "Obrigado Hungria!"

Participação recorde

A Hungria registou um recorde de participação, com longas filas nos locais de voto. Mais de 74% dos eleitores já tinham votado até às 17h00 (16h00 em Lisboa), mais 12 pontos percentuais do que à mesma hora em 2022. Às 18h30 o número tinha subido para os 77,8%, um recorde.

"A paz e a segurança da Hungria podem depender de um voto hoje. Esta é uma decisão que não pode ser desfeita amanhã. Temos de defender a Hungria hoje! Nenhum patriota deveria ficar em casa hoje!", escreveu Orbán a meio da tarde no Facebook.

"Hoje, o pesadelo que vivemos durante anos vai chegar ao fim", disse Magyar num vídeo partilhado nas redes sociais, comentando a participação elevada e dizendo que "muitos húngaros uniram-se para mudar o sistema".

Candidatos estavam confiantes

O primeiro-ministro votou às primeiras horas da manhã, confiante de que ia "ganhar", deixando claro que é "um jovem" (tem 62 anos) e que só uma "grande" derrota o levaria a demitir-se de líder do Fidesz.

“Estamos a caminhar para grandes crises – não apenas uma, mas várias, a acontecer em simultâneo. Por isso, acredito que precisamos de uma forte união nacional para… resistir à crise energética, à crise financeira e à crise económica que se avizinham.”

Magyar mostrou-se confiante da vitória depois de exercer o seu direito de voto. "A questão é se conseguiremos esse mandato de dois terços ou se teremos de governar com uma maioria simples", disse aos jornalistas, lembrando que com uma "supermaioria" seria mais fácil "desmantelar" o sistema.

Se conseguir ganhar dois terços dos 199 lugares no Parlamento, o Tisza conseguirá reescrever a Constituição da Hungria.

O candidato lembrou que a eleição era uma escolha entre "o Leste ou o Ocidente", entre “propaganda ou discurso público honesto; corrupção ou vida pública íntegra.”

O líder da oposição apelou ainda à calma. “Ninguém deve ceder a qualquer provocação. Sabemos com certeza que, se esta eleição decorrer de forma calma e legal, então esta eleição será ganha por Tisza e pela Hungria”, referiu.

Estas eleições foram seguidas de perto tanto na União Europeia como na Rússia e nos EUA. A eleição de Magyar poderá representar uma nova oportunidade para as relações entre Budapeste e Bruxelas, depois de 16 anos em que Orbán - que não esconde os laços com Vladimir Putin e que conta com o apoio de Donald Trump - corroeu completamente o Estado de direito e, mais recentemente, serviu de travão às sanções contra a Rússia e no apoio à Ucrânia.

Líderes europeus felicitam a Hungria

"A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Um país retoma o seu caminho europeu. A União fortalece-se", escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no X.A França congratula-se com a vitória da participação democrática, o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa.

Avancemos juntos para uma Europa mais soberana, pela segurança do nosso continente, pela nossa competitividade e pela nossa democracia.

"A França congratula-se com a vitória da participação democrática, o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron.

"Avancemos juntos para uma Europa mais soberana, pela segurança do nosso continente, pela nossa competitividade e pela nossa democracia", acrescentou.

"A Hungria decidiu. Parabéns pela vitória nas eleições, caro Péter Magyar. Aguardo com expectativa a cooperação por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida", indicou o chanceler alemão, Friedrich Merz.

Portugal, através do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, também felicitou os húngaros. "Prontos a trabalhar com o novo governo húngaro em prol da Europa e dos valores e cidadãos europeus", acrescentou.

Também o PS, em nota enviada às redações, considerou a "derrota de Viktor Orbán um momento político de grande alcance para a Hungria e para a União Europeia".

"Este resultado prova que, mesmo após anos de erosão institucional, a democracia mantém a capacidade de se regenerar quando há mobilização cívica, sentido de responsabilidade coletiva e consciência da gravidade do momento político", segundo os socialistas.

O PS escreve ainda que se abre agora "a expectativa de que a Hungria recupere uma relação plenamente alinhada com os princípios que definem a pertença europeia: uma prática institucional assente no Estado de direito, no respeito exigente pelos valores democráticos e numa participação construtiva nas decisões comuns."

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