O Governo espanhol convocou esta segunda-feira, 30 de março, a chefe da embaixada de Israel em Madrid para protestar pela proibição de celebração da missa de Domingo de Ramos, no domingo, no Santo Sepulcro de Jerusalém.“Esta manhã, convocámos a encarregada de negócios de Israel ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para lhe transmitir o nosso protesto, para lhe indicar que não se pode repetir, que o culto católico deve poder celebrar-se com normalidade, como sempre se celebrou historicamente”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, numa entrevista à rádio RAC1.Israel retirou a embaixadora que tinha em Espanha em maio de 2024, quando o Governo espanhol anunciou a intenção de reconhecer o Estado da Palestina.Desde então, Israel mantém em Espanha uma representação diplomática liderada por uma encarregada de negócios, posto atualmente ocupado por Dana Erlich.Também Espanha retirou a embaixadora que tinha em Telavive, em setembro de 2025, na sequência de declarações de membros do executivo israelita, que chamaram antissemita ao Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez.Sánchez tem sido um dos dirigentes internacionais mais críticos da operação militar de Telavive no território palestiniano da Faixa de Gaza, em resposta aos ataques do grupo radical islâmico Hamas de outubro de 2023, e o Governo de Espanha reconheceu a Palestina como Estado em maio de 2024. Nas últimas semanas, Sánchez tem sido também das vozes europeias mais frontais nas críticas aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, aos quais Teerão respondeu, desencadeando uma nova guerra no Médio Oriente.A polícia israelita impediu no domingo o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem naquele local sagrado para celebrarem a missa do Domingo de Ramos, “pela primeira vez em séculos”, revelou o Patriarcado Latino.O Governo israelita explicou que a decisão foi tomada por motivos de segurança, devido às restrições impostas pelo exército como medida de precaução face a possíveis ataques iranianos.A decisão de Israel foi condenada por vários países e líderes internacionais, incluindo o Governo e o Presidente da República português..Portugal entre países que condenam Israel por proibir celebração de missa de Domingo de Ramos em Jerusalém. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, considerou igualmente que foi um “lamentável abuso de poder”.O presidente de Israel, Isaac Herzog, contactou o chefe da Igreja Católica na Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, para lhe transmitir o seu “profundo pesar”.Em comunicado, Herzog reafirmou o “compromisso do Estado de Israel com a liberdade religiosa para todas as confissões”.Na madrugada de hoje, o primeiro-ministro de Israel revogou a proibição de entrada no Santo Sepulcro à mais alta autoridade católica da Terra Santa, o Patriarca Latino, afirmando que pode "realizar serviços religiosos como desejar"..Domingo de Ramos. Líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa na Igreja do Santo Sepulcro