Trump durante o seu discurso.
Trump durante o seu discurso.EPA/JIM LO SCALZO

“Não queremos comunistas.” Trump desafia tempestade e faz do anticomunismo a bandeira dos 250 anos dos EUA

Após evacuação e atraso de duas horas e meia presidente discursa perante milhares de apoiantes, exalta símbolos militares e afirma que as "estrelas e riscas" vão derrotar de novo a "foice e o martelo"
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na noite de 4 de julho (já madrugada de dia 5 em Lisboa) no National Mall, em Washington D.C., para assinalar o 250.º aniversário da Declaração de Independência do país, num evento marcado por um forte discurso de pendor anticomunista e patriótico. A intervenção, inicialmente ameaçada por um alerta de tempestade severa que forçou a evacuação temporária do recinto político, acabou por arrancar com cerca de duas horas e meia de atraso em relação ao horário previsto.

Perante uma multidão que tinha antes sido retirada do local dada uma pesada trovoada, com relâmpagos constantes, Trump sublinhou a resiliência dos seus apoiantes, elogiando o facto de não se terem deixado dissuadir pelo mau tempo. "O relâmpago nunca vos irá parar", declarou o chefe de Estado, estimando que, apesar de muitos cidadãos terem sido obrigados a abandonar o local durante o alerta, cerca de 150 mil pessoas permaneceram no recinto para assistir às celebrações do Sestocentenário norte-americano.

A “ameaça" vermelha a “travar de imediato”

O núcleo político da intervenção de Donald Trump centrou-se numa retórica agressiva de oposição ao comunismo, que o governante descreveu como uma "ameaça" que deve ser travada de imediato. Recordando o seu discurso da noite anterior no Monte Rushmore, o Presidente assegurou que os EUA nunca se tornarão um Estado comunista.

"Não queremos comunistas no nosso país. Nunca funcionou e nunca funcionará", afirmou Trump sob fortes aplausos da assistência. Numa analogia direta, o líder norte-americano defendeu a necessidade de agir preventivamente contra esta ideologia: "Temos de parar uma ameaça como esta imediatamente e antes que ela comece. Tal como um cancro, temos de o extirpar primeiro."

Trump aproveitou a presença de veteranos da Guerra da Coreia e de antigos opositores ao bloco soviético na Guerra Fria para traçar um paralelismo histórico com os desafios do presente, enfatizando a superioridade dos símbolos nacionais norte-americanos face aos regimes totalitários.

"As estrelas e riscas lançaram a foice e o martelo no esquecimento antes, e fá-lo-ão novamente se for necessário", garantiu, embora tenha salvaguardado, logo de seguida, acreditar que tal recurso à meios mais fortes "não será necessário" dado o nível de preparação atual das forças armadas do país.

Exaltação militar, conquistas espaciais e o "Save America Act"

Ao longo de mais de 37 minutos de intervenção, o Presidente norte-americano desfilou uma série de relíquias históricas presentes no palco, incluindo uma das primeiras bandeiras norte-americanas de 1777 e a insígnia que cobriu o caixão de Abraham Lincoln. Trump homenageou individualmente vários heróis de guerra centenários, como veteranos sobreviventes de Pearl Harbor, do Dia D e de Iwo Jima.

A par da narrativa militar e das referências à missão espacial Artemis II — cujos astronautas estiveram presentes na cerimónia e receberam a promessa de que a bandeira dos EUA será novamente cravada na Lua e, posteriormente, em Marte —, Trump introduziu temas de política interna de cariz legislativo e eleitoral.

O presidente apelou à aprovação do "Save America Act", uma proposta de lei que visa reformar o sistema eleitoral norte-americano através da exigência obrigatória de identificação do eleitor (voter ID), da apresentação de prova de cidadania para votar e do fim generalizado do voto por correspondência, exceto em casos estritos de doença, deficiência, destacamento militar ou viagem.

A fechar o discurso na capital, que descreveu agora como "uma das cidades mais seguras e bonitas do país", Trump augurou o início de uma "idade de ouro" para a nação. "Aos 250 anos de idade, podemos ser a mais antiga república constitucional da Terra, mas o nosso país está apenas a começar", concluiu.

Após o discurso, seguiu-se um espetáculo de fogo de artifício que se prometia o maior de sempre, para entrar para o Guinness. Isto depois de o programa ter sido alterado — dado o atraso que a tempestade obrigou em Washington — fazendo com que, na região leste do país, regiões como Nova Iorque, Boston e Florida tivessem adiantado as suas celebrações como enormes espetáculos de fogo nos céus.

Trump durante o seu discurso.
Alerta de tempestade forçou evacuação do National Mall. Discurso de Donald Trump atrasado duas horas
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Trump transforma celebrações do 250.º aniversário dos Estados Unidos em comício político
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