Jornalistas do New York Times foram intimados a prestar declarações em tribunal, depois do jornal norte-americano ter noticiado esta semana que Donald Trump iria viajar de Ancara, Turquia, para os EUA no antigo Air Force One dadas as preocupações de segurança com o novo avião oferecido pelo Qatar. O New York Times (NYT) avança, este sábado, 11 de julho, que "a administração Trump emitiu intimações na sexta-feira a vários jornalistas do The New York Times", tendo por base a notícia da troca de avião do Presidente norte-americano em Ancara e que foi divulgada um pouco por todo o mundo, nomeadamente em Portugal.O jornal de referência novaiorquino escreve que "as intimações — que procuram forçar os jornalistas a depor perante um grande júri federal em Manhattan, na quarta-feira, representam uma escalada extraordinária nos esforços do Presidente Trump para ameaçar e intimidar os órgãos de comunicação social independentes".Segundo diz, "em alguns casos, as intimações foram entregues por agentes federais que apareceram nas casas dos jornalistas". O NYT já denunciou as ações da administração Trump. Os jornalistas do NYT noticiaram quarta-feira que Donald Trump tinha deixado a Turquia no antigo Air Force One como medida de segurança, a pedido dos serviços secretos norte-americanos. No dia seguinte, o NYT noticiou que o novo Air Force One, um Boeing 747-8 doado pelo Qatar, não possuía algumas das características avançadas de segurança da aeronave mais antiga, incluindo capacidades antimíssil.Um alto funcionário do FBI tentou impedir a publicação da notícia, alegando ser uma matéria de segurança nacional, sem contudo aprofundar a questão, diz o jornal. Também pediu que fossem divulgadas as fontes que revelaram as deficiências de segurança do novo Air Force One. O NYT recusou.David McCraw, advogado do NYT, emitiu um comunicado esta sexta-feira à noite, onde afirma que "a presença de agentes da autoridade federais à porta dos jornalistas deveria chocar a consciência de qualquer norte-americano que acredite na Constituição e na liberdade de imprensa que ela protege".“Os nossos jornalistas relatam os factos e defendem o direito do público americano de saber como o seu governo está a operar e como o dinheiro dos contribuintes está a ser utilizado”, diz o comunicado. David McCraw apelida o ato de “descarado" e defende que deve ser visto como mais "uma tentativa de impedir o público de saber o que se passa no seu país, intimidando os jornalistas para que não façam o seu trabalho”.As intimações solicitam o testemunho dos jornalistas “em relação a uma alegada violação da lei penal federal”, sem mais pormenores. Jay Clayton, procurador dos EUA em Manhattan, é a autoridade por detrás das intimações. Segundo o NYT, "lidera um dos mais proeminentes gabinetes de aplicação da lei do país", tendo sido recentemente nomeado por Donald Trump para desempenhar funções de diretor dos serviços de informação nacionais.Esta interferência é mais um episódio das várias ações da administração Trump junto dos media. O NYT recorda que, no início do ano, o Departamento de Justiça dos EUA tentou obrigar os jornalistas do The Wall Street Journal e do The Washington Post a depor. Acabou por retirar as intimações.Em Janeiro, agentes do FBI revistaram a casa de uma repórter do Washington Post, no âmbito de uma investigação sobre o manuseamento de material confidencial por uma empresa contratada pelo governo. O NYT é parte em vários processos judiciais que envolvem o Donald Trump e a sua administração. Trump processou o jornal no ano passado, acusando-o de o difamar, depreciar a sua reputação e tentar minar a sua candidatura em 2024.Em dezembro, o NYT processou o Departamento de Defesa por imposição de restrições aos repórteres que cobrem assuntos militares. Também reduziu o acesso físico dos repórteres ao Pentágono.Em Maio, a Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego processou o NYT por discriminação no emprego. .Trump ameaça Irão com "mil mísseis" após apelos à sua morte no funeral do aiatola.E. Jean Carroll vai receber 5,8 milhões de dólares no caso de ataque sexual por Trump