Invadir a ilha de Kharg ou destrui-la. São essas as opções relacionadas com o principal terminal de petróleo iraniano que, nas últimas horas, o presidente dos Estados Unidos disse estar a considerar. Já o secretário de Estado apontou para objetivos na guerra que não coincidem com aqueles proferidos por Donald Trump.Numa entrevista ao Financial Times, o líder norte-americano disse: “Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções.” Ao que acrescentou: “Isso também significaria que teríamos que estar lá por um tempo... Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la muito facilmente.” Mas nas primeiras horas de segunda-feira, como já tem vindo a fazer para tentar influenciar os mercados financeiros, publicou uma mensagem no Truth Social sobre o destino da ilha de 20 km2. Por um lado, disse estar a verificar-se “grandes progressos” nas conversações para chegar a um acordo com “um novo e mais razoável regime”. Mas, por outro, e como faz parte da sua forma de comunicar, Trump ameaçou com a destruição de Kharg. “Se por alguma razão um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o estreito de Ormuz não estiver imediatamente ‘aberto para negócios’, concluiremos a nossa agradável ‘estadia’ no Irão destruindo e obliterando completamente todas as suas centrais elétricas, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as estações de dessalinização!), que propositadamente ainda não tínhamos ‘tocado’.”Situada no golfo Pérsico a 24 quilómetros da costa do Irão, pela qual está ligada através de oleodutos, Kharg é o ponto nevrálgico para a economia iraniana: 90% do seu petróleo bruto é escoado pelo terminal a que petroleiros de grande porte (com capacidade para transportar até 2 milhões de barris de crude) e correspondente calado conseguem aceder, graças à profundidade das águas e de cais adaptados. Kharg já foi alvo de um bombardeamento no dia 13, tendo os EUA dito que atingiram 90 alvos militares, mas as infraestruturas energéticas foram poupadas. Tal iria marcar uma escalada na guerra. Na sequência de um ataque israelita, em 18 de março, ao campo de gás South Pars, Trump deu indicações a Telavive para não se repetirem ataques a infraestruturas de energia. Mas, tendo em conta a mensagem de Trump na sua rede social, um ataque aéreo tendo como alvo Kharg seria uma forma de dar a operação militar como terminada, embora sem garantir a livre navegação pelo estreito de Ormuz. .Irão avisa os EUA para as consequências de uma invasão terrestre .A outra hipótese, uma invasão à ilha, é um cenário que comporta mais riscos. Trump afirmou que Kharg não terá “qualquer defesa”, mas as informações recolhidas pela CNN indicam o contrário, com Teerão a reforçar as suas defesas nas últimas semanas, incluindo o destacamento de pessoal militar e defesas aéreas. Em concreto, foram enviados mísseis portáteis e mísseis terra-ar, além de minas antipessoais e antitanque. Além disso, o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf - Trump identificou ao New York Post ser o interlocutor nas conversações - advertiu que iria “chover fogo” caso os militares norte-americanos tentem invadir solo iraniano. Os especialistas militares não duvidam que os EUA consigam apossar-se de Kharg através de um ataque combinado de paraquedistas e de marines, mas a troco de possíveis custos elevados em baixas, numa primeira fase, mas também na manutenção da ilha. O exemplo mais recente foi a ilha da Serpente, que as forças russas tomaram aos ucranianos sem grande dificuldade, no mar Negro, para mais tarde acabarem por retirar devido aos constantes ataques aéreos.Além da dissonância de mensagens entre Trump e Trump, a porta-voz da Casa Branca e o secretário de Estado apontaram objetivos diferentes para a guerra em curso. “Os objetivos da Operação Fúria Épica são destruir a marinha iraniana, destruir os mísseis balísticos, desmantelar a infraestrutura de produção de mísseis e drones, enfraquecer significativamente os seus aliados e impedir que o Irão obtenha alguma vez uma arma nuclear”, disse Karoline Leavitt, afastando a reabertura de Ormuz como um objetivo central. Horas antes, Marco Rubio disse que os EUA têm sido claros quanto aos objetivos, os quais disse serem destruir a marinha e a força aérea iranianas, bem como destruir os programas de mísseis e drones. Leavitt lembrou ainda que o presidente apontou para que a operação durasse entre quatro e seis semanas. “Estamos a 30. Façam as contas”, disse aos jornalistas. Outra escola atingidaUma segunda escola foi atingida pelos Estados Unidos no primeiro dia de guerra, tendo matado pelo menos 21 pessoas, informaram fontes iranianas ao New York Times depois de a BBC já ter noticiado a utilização de um novo míssil. Ambos os meios de comunicação verificaram vídeos que comprovam o ataque executado com o PrSM (nome formado pelas iniciais de míssil de ataque de precisão), o qual atingiu um pavilhão desportivo e uma escola primária adjacente na cidade de Lamerd, na província de Fars, em 28 de fevereiro. Ao lado situava-se um edifício dos Guardas da Revolução.O míssil PrSM tem um alcance de 500 quilómetros. À BBC, a empresa McKenzie Intelligence notou que “o Comando Central dos EUA admitiu ter usado o PrSM em ataques a partir do deserto de um país do Golfo não identificado contra o Irão nas fases iniciais do conflito”. No mesmo dia, um míssil Tomahawk acertou numa escola para meninas na cidade de Minab, tendo matado 175 pessoas, a grande maioria crianças..Irão sacode pressão para os EUA em mensagem atribuída ao novo líder.Próximo líder do Irão “não vai durar muito tempo” sem a aprovação dos EUA