O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou ontem ter comunicado aos Estados Unidos que é contra a criação de um Estado palestiniano em qualquer cenário de pós-guerra. Uma posição que evidencia as profundas divergências entre os dois aliados próximos, três meses após o início da ofensiva de Israel à Faixa de Gaza para eliminar o Hamas..Os Estados Unidos instaram Israel a reduzir a escala e a intensidade da sua ofensiva em Gaza e sustentaram que a criação de um Estado palestiniano deveria fazer parte do “dia seguinte”. Mas, numa conferência de imprensa, Netanyahu prometeu prosseguir a ofensiva até Israel obter uma “vitória decisiva sobre o Hamas” e rejeitou também a ideia de um Estado palestiniano, dizendo ter transmitido a sua posição aos norte-americanos..“Em qualquer futuro acordo, Israel precisa de controlar a segurança de todo o território a oeste do rio Jordão”, afirmou o chefe do executivo israelita. “Isso colide com a ideia de soberania. O que é que se há-de fazer...? O primeiro-ministro tem de ser capaz de dizer ‘não’ aos nossos amigos”, comentou..Mais de 100 dias depois de o Hamas ter desencadeado a guerra, com o seu ataque de 7 de outubro, Israel continua a levar a cabo uma das campanhas militares mais mortíferas e destrutivas da história recente, com o objetivo de desmantelar o grupo militante que governa Gaza desde 2007 e de obter a libertação de muitos prisioneiros. Esta guerra está a alimentar as tensões em toda a região do Médio Oriente, ameaçando desencadear outros conflitos..Falando no Fórum Económico Mundial, em Davos, o presidente israelita afirmou ontem que a normalização das relações entre Israel e a Arábia Saudita é um elemento fulcral para o fim da guerra em Gaza e uma mudança decisiva para todo o Médio Oriente. “Ainda é delicado, ainda é frágil, vai levar muito tempo, mas penso que constitui uma oportunidade para seguir, no mundo e na região, em direção a um futuro melhor”, disse Isaac Herzog..Estas declarações surgem após o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, ter defendido há dias em Davos que “uma paz regional inclui uma paz com Israel”, e assinalar que Riade “certamente” reconheceria Israel no âmbito de um amplo acordo político global. “Mas tal apenas pode acontecer através da paz para os palestinianos, através de um Estado palestiniano”, acrescentou..Esta ideia foi repetida ontem pela embaixadora saudita nos Estados Unidos, princesa Reema bin Bandar Al Saud, que condicionou a normalização das relações diplomáticas de Riade com Israel a um cessar-fogo em Gaza e ao estabelecimento de um Estado palestiniano independente..Com agências