O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro israelita, Benjamin NetanyahuNir Elias / POOL / AFP

Netanyahu avisa: combate contra o Irão e o Hezbollah “não acabou”

Primeiro-ministro israelita afirma que os inimigos estão mais fracos do que nunca e destaca a destruição de complexos subterrâneos na zona histórica de Beaufort, no sul do Líbano.
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, emitiu esta tarde de segunda-feira (8 de junho) uma declaração pública alertando que o confronto militar do país contra o Irão e o seu aliado libanês, o Hezbollah, está longe de terminar. O aviso surge após uma noite de forte escalada de violência e bombardeamentos, colocando sob enorme pressão o frágil cessar-fogo que tinha sido alcançado em abril passado.

Segundo o chefe do governo israelita, Teerão e a milícia xiita tentaram "impor uma nova equação" a Israel através de recentes ataques com projéteis e drones, uma postura que classificou como "intolerável e inaceitável". Apesar dos novos focos de tensão, Netanyahu adotou um tom de vitória operacional, assegurando que o equilíbrio de forças mudou de forma definitiva.

"Quero dizer-vos uma coisa: os nossos heroicos combatentes estão a destruir o Hezbollah. O Irão e o Hezbollah estão mais fracos do que nunca, e Israel está mais forte do que nunca. Mas a nossa luta contra eles ainda não acabou", declarou o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu
Irão e Israel cessam ataques após quebra de cessar-fogo no domingo

Descoberta de "mega-túneis"

Netanyahu destacou as infraestruturas militares detetadas no sul do Líbano, especialmente durante as operações em curso na cordilheira de Beaufort, uma zona de enorme importância estratégica que abriga uma fortaleza medieval construída no século XII durante a era das Cruzadas.

As forças terrestres israelitas capturaram o Castelo de Beaufort no final de maio, assinalando a incursão mais profunda da infantaria de Israel em território libanês nos últimos 26 anos (desde a retirada total daquela zona no ano 2000).

Netanyahu afirmou que, escondida sob o terreno montanhoso que rodeia a antiga fortaleza, existia uma rede subterrânea de proporções nunca antes registadas pelas equipas de engenharia militar de Israel.

"Continuamos a destruir toda a infraestrutura terrorista deles na zona de segurança, incluindo enormes instalações subterrâneas em Beaufort. São de tal forma grandes que nunca vi nada semelhante em toda a minha vida", sublinhou o líder israelita.

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Beaufort, o castelo dos Cruzados que Israel ocupou para ter controlo sobre sul do Líbano

Pressão diplomática e reações

A intensificação da presença e a destruição de infraestruturas nesta área — situada a escassos quilómetros da fronteira com o norte de Israel — reavivaram os receios de uma ocupação prolongada e provocaram fortes reações a nível internacional. O Castelo de Beaufort é considerado pela UNESCO um dos monumentos medievais mais bem preservados do Médio Oriente, o que motivou debates urgentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas relativamente à soberania libanesa e à preservação do património histórico nacional.

Do lado de Beirute, as autoridades governamentais continuam a condenar a incursão terrestre, acusando Israel de violar a Resolução 1701 da ONU. Contudo, a nível interno, analistas apontam que Netanyahu enfrenta uma enorme pressão pública dos residentes do norte de Israel para não retirar as tropas sem neutralizar por completo a capacidade de disparo de rockets do Hezbollah.

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