As delegações da Ucrânia e da Rússia reuniram-se esta quarta-feira, 4 de fevereiro, para mais uma ronda de negociações de paz em Abu Dhabi mediadas pelos Estados Unidos, tendo decidido prosseguir na quinta-feira os trabalhos. No campo de batalha, um ataque russo com munições de fragmentação matou sete pessoas num mercado na zona de Donetsk, enquanto milhares de ucranianos continuam sem aquecimento sujeitos a temperaturas negativas. “As discussões foram substanciais e produtivas, focando-se em medidas concretas e soluções práticas”, disse esta quarta-feira Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia e líder da delegação de Kiev, após o primeiro dia desta nova ronda, adiantando que “o processo de negociação continuou hoje [quarta-feira] no formato de trabalho em grupos”. Do lado dos EUA participaram nas negociações o enviado especial Steve Witkoff, Jared Kushner, o conselheiro económico da Casa Branca Josh Greenbaum, o secretário do Exército Daniel Driscoll, e o general Alex Grinkevich. Ainda segundo Umerov, Moscovo foi representada a um alto nível militar. Comentando a reunião desta quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano afirmou que não deverá haver no imediato um avanço nas negociações, mas voltou a chamar a atenção para os progressos feitos no último ano, desde que Donald Trump regressou à Casa Branca. “Essa é a boa notícia”, declarou Marco Rubio, citado pela AP. “A má notícia é que os artigos que restam são os mais difíceis. E, entretanto, a guerra continua”.Há menos de uma semana, o líder da diplomacia dos Estados Unidos havia dito que a reivindicação russa sobre Donetsk é a principal questão que impede um acordo de paz. “Há um trabalho ativo em curso para tentar conciliar as opiniões de ambos os lados sobre isto”, afirmou Marco Rubio numa audição no Comité dos Negócios Estrangeiros do Senado. “Ainda é uma ponte que não atravessámos. Ainda é uma lacuna, mas pelo menos conseguimos reduzir o conjunto de questões a uma central, e provavelmente será uma muito difícil de resolver.”Era esperado que esta nova ronda de negociações se voltasse a centrar nas duas questões mais sensíveis - o futuro do Donbass, como Marco Rubio já havia referido, e as garantias de segurança pós-guerra para a Ucrânia -, no entanto novos ataques russos na madrugada de terça-feira, nomeadamente contra Kiev e outras cidades, deixando milhares sem aquecimento numa altura em que as temperaturas no país rondam os -20.º C, levou o presidente Volodymyr Zelensky a afirmar que “o trabalho da nossa equipa de negociação será ajustado em conformidade”, notando que “cada ataque russo deste tipo confirma que as atitudes em Moscovo não mudaram: continuam a apostar na guerra e na destruição da Ucrânia e não levam a diplomacia a sério”.A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Donald Trump - que havia pedido a Putin uma trégua de uma semana das ações militares russas contra infraestruturas energéticas ucranianas devido às baixas temperaturas - “infelizmente não ficou surpreendido” com o retomar dos ataques de Moscovo.Segundo o Ministério da Energia ucraniano, esta quarta-feira mais de 200 equipas de reparação estavam a trabalhar em Kiev para restabelecer a energia, tendo a capital mais de mil edifícios ainda sem aquecimento. Para o Instituto do Estudo da Guerra, o ataque da madrugada de terça-feira “demonstra que a Rússia nunca teve a intenção de utilizar a moratória sobre os ataques energéticos para reduzir a escalada da guerra ou para avançar seriamente nas conversações de paz iniciadas pelos EUA”. “O Kremlin irá provavelmente tentar apresentar a sua adesão a esta moratória de curto prazo sobre os ataques ao setor energético como uma concessão significativa para obter vantagem nas próximas conversações de paz, mesmo que o Kremlin tenha utilizado estes poucos dias para armazenar mísseis para um pacote de ataques maior”, prossegue uma análise deste think tank norte-americano. O Kremlin não quis comentar este primeiro dia da nova ronda de negociações, tendo o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, dito apenas que “as portas para uma solução pacífica estão abertas”, mas que Moscovo prosseguirá a campanha militar até que Kiev adote as “decisões relevantes”..Conselho da UE autoriza a Ucrânia a utilizar empréstimo europeu para comprar armas a outros países.Trabalho dos negociadores de Kiev será “ajustado” após ataque russo