Presidente norte-americano fez a primeira grande ação de campanha do ano na Pensilvânia.
Presidente norte-americano fez a primeira grande ação de campanha do ano na Pensilvânia.EPA/SHAWN THEW

Na mira do Supremo, Trump troca ataques com Biden

Tribunal aceitou examinar inelegibilidade do republicano pelo seu papel no assalto ao Capitólio, ao abrigo da 14.ª Emenda da Constituição.
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Na primeira ação de campanha de 2024, o presidente norte-americano, Joe Biden, acusou Donald Trump de querer “destruir a democracia”, falando no ataque ao Capitólio como “o dia em que quase perdemos a América”. O ex-presidente respondeu, num discurso no Iowa (onde será dado o pontapé de saída na corrida às eleições de novembro, já na próxima semana), acusando o democrata de querer “semear o medo”.

A troca de acusações entre Biden e Trump, na véspera do terceiro aniversário da invasão ao Capitólio, surgiu no dia em que o Supremo Tribunal dos EUA anunciou que vai examinar a inelegibilidade do ex-presidente para concorrer às eleições de novembro. Em causa está a Secção 3 da 14.ª Emenda da Constituição, que diz que está impedido de concorrer a cargo público quem se tiver “envolvido em insurreição ou rebelião”.

O Supremo Tribunal do Colorado concluiu que, devido ao papel do ex-presidente no ataque de 6 de janeiro de 2021, ele não poderá estar no boletim de voto das primárias - uma decisão suspensa à espera da decisão do tribunal máximo dos EUA. Também a secretária de Estado do Maine (responsável a nível estadual pelas eleições) tomou a mesma decisão, havendo outros estados que rejeitaram o pedido e ainda outros que se preparavam para também ter de decidir.

Na sexta-feira, numa breve decisão judicial, o Supremo Tribunal dos EUA indicou que admitiu o caso e que os nove juízes - seis conservadores (três deles nomeados pelo próprio Trump) e três liberais - vão realizar uma audiência pública a 8 de fevereiro para ouvir os argumentos de ambas as partes. O pedido para que a mais alta instância judicial tome uma posição veio da própria equipa jurídica de Trump, que recorreu da decisão do Colorado e do Maine.

O Supremo nunca se pronunciou sobre a Secção 3 da 14.ª Emenda da Constituição - adicionada depois do fim da Guerra Civil para impedir que os Confederados regressassem aos seus cargos governamentais. A decisão que o Supremo tomar fará Jurisprudência, sendo aplicada em todo o país. Dado a atual constituição do tribunal, será surpreendente se os juízes decidirem contra o ex-presidente.

Biden vs. Trump

No discurso na sexta-feira à noite (estava previsto para sábado, mas a ameaça de uma tempestade na Pensilvânia obrigou a antecipar o evento), Biden acusou Trump de instigar os ataques do 6 de janeiro e deixar os seus apoiantes com as culpas. Ainda ontem foram detidas três pessoas que eram procuradas pelo FBI por agressão a funcionários e distúrbio de ordem pública na invasão ao Capitólio.

O presidente acusou ainda o antecessor de procurar “vingança e retribuição” contra os seus adversários políticos, estando pronto a “sacrificar a democracia” para conseguir o poder. “A democracia está no boletim de voto. A vossa liberdade está no boletim de voto”, disse. Biden lembrou ainda que Trump apelida os adversários de “vermes”, usando “a mesma linguagem que foi usada na Alemanha nazi”.

Na resposta, o ex-presidente acusou o sucessor de organizar “uma ação de campanha patética, para semear medos” e para desviar o foco das atenções de questões importantes como a economia .“O histórico de Joe Biden é uma série ininterrupta de fraqueza, incompetência, corrupção e fracasso. Fora isso, ele está a ir muito bem”, ironizou Trump, dizendo que os EUA se tornaram “uma vergonha”.

susana.f.salvador@dn.pt

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