Mulher que escreveu livro sobre o luto após a morte do marido foi considerada culpada de... o matar

Mulher que escreveu livro sobre o luto após a morte do marido foi considerada culpada de... o matar

Os procuradores acreditam que a mulher, que tinha uma dívida de 4,5 milhões de dólares, acreditava erradamente que, quando o marido morresse, herdaria a sua fortuna de mais de 4 milhões de dólares.
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Uma mulher norte-americana foi esta segunda-feira, 16 de março, condenada por homicídio qualificado depois de ter envenenado o marido com fentanil e de ter publicado um livro infantil sobre como lidar com o luto.

Os procuradores disseram que Kouri Richins adicionou cinco vezes a dose letal de opióide sintético a um cocktail que o seu marido, Eric Richins, bebeu em março de 2022, na casa de ambos, nos arredores da cidade turística de Park City, no estado do Utah.

Os procuradores acreditam que a mulher, que tinha uma dívida de 4,5 milhões de dólares (cerca de 3,9 milhões de euros), acreditava erradamente que, quando o marido morresse, herdaria a sua fortuna de mais de 4 milhões de dólares (cerca de 3,5 milhões de euros).

"Ela queria deixar Eric Richins, mas não queria deixar o dinheiro dele", disse o procurador do condado de Summit, Brad Bloodworth.

Kouri, de 35 anos, foi ainda condenada por outros crimes graves, incluindo tentativa de homicídio por tentar envenenar o marido semanas antes, no Dia dos Namorados, com uma sanduíche com fentanil que o fez desmaiar.

Os jurados consideraram ainda a mulher culpada de falsificação e de ter reivindicado fraudulentamente benefícios do seguro após a morte do marido.

Familiares de ambos saíram do tribunal abraçados e a chorar, chocados com as conclusões dos juízes.

A sentença foi marcada para 13 de maio, dia em que Eric completaria 44 anos. A acusação de homicídio qualificado, por si só, prevê uma pena de que pode ir desde os 25 anos à prisão perpétua.

A acusação acusou Kouri, uma agente imobiliária especializada na compra e venda rápida de casas, de estar profundamente endividada e a planear um futuro com outro homem, tendo contratado vários seguros de vida em nome do marido sem o seu conhecimento, com benefícios que totalizavam cerca de 2 milhões de dólares (1,7 milhões de euros).

Kouri também enfrenta outras 26 acusações criminais relacionadas com dinheiro num processo separado que ainda não foi a julgamento.

Na manhã desta segunda-feira, a acusação apresentou ao júri mensagens de texto entre Kouri e Robert Josh Grossman, o homem com quem alegadamente mantinha um caso, nas quais fantasiava deixar o marido, ganhar milhões com o divórcio e casar com Grossman.

O histórico de pesquisas na Internet do telemóvel de Richins incluía frases como “qual é a dose letal de fentanil”, “prisões de luxo para os ricos dos EUA” e “se alguém for envenenado, o que consta na certidão de óbito”, testemunhou um analista forense digital.

De acordo com a acusação, que reproduziu um excerto da chamada de Kouri para a linha de emergência na noite da morte do marido. O tom utilizado foi descrito como o "som de uma esposa a tornar-se viúva negra", algo contestado pela advogada de defesa, que respondeu que a acusação “olha para os factos de uma maneira e vê uma bruxa".

A defesa concentrou-se sobretudo em tentar desacreditar a principal testemunha da acusação, Carmen Lauber, uma empregada doméstica da família que alegou ter vendido fentanil a Kouri em diversas ocasiões.

Pouco antes de ser detida, em maio de 2023, Kouri Richins publicou o livro infantil "Are You with Me?" (Estás comigo?), sobre como lidar com a perda de um dos pais, tendo-o promovido em estações de televisão e rádios locais, algo que levou os procuradores a insinuar que a mulher planeou o homicídio e tentou encobri-lo.

O detetive Jeff O'Driscoll, do Departamento do Xerife do Condado de Summit, investigador principal do caso, testemunhou que Richins pagou a uma empresa de escritores fantasmas para lhe escrever o livro.

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