Considerava-se a “estrela guia” de Donald Trump, e disse-o numa entrevista à rede NBC News em fevereiro deste ano. Lindsey Graham, senador Republicano e forte aliado do presidente dos EUA, morreu inesperadamente, ao início da noite de sábado, 11 de julho, aos 71 anos, na sequência de uma “doença breve e súbita”, conforme informação de uma nota divulgada pelo seu gabinete. Com o seu desaparecimento, uma posição de prestígio na política norte-americana também desparece. Aquela que era ocupada por alguém que tinha caminho aberto para discordar da Casa Branca.Representante do estado da Carolina do Sul no Senado desde 2003, Lindsay Graham foi advogado militar da Força Aérea dos Estados Unidos e voltou a sua carreira política para as áreas da segurança nacional, defesa e negócios estrangeiros. Teve um percurso marcado pelo apoio a um forte investimento nas Forças Armada e por defender posições firmes dos Estados Unidos contra a Rússia, o Irão e a China.Inicialmente, o relacionamento com Donald Trump era o total oposto do atual. Graham era um crítico de Trump, com quem chegou a disputar as primárias republicanas de 2016. “Se nomearmos Trump, seremos destruídos”, declarou na altura, afirmando, depois, ter votado num candidato de um terceiro partido para presidente naquele ano para não apoiar nem Trump nem Hillary Clinton, que concorreu pelos Democratas. Então, o que aconteceu na última década? Ora, a política. “Discordamos, mas ele sabe de onde venho. Vê-me como alguém que o ajuda tanto quanto qualquer outro senador”, afirmou à NBC News.Em janeiro, Graham chegou a bloquear temporariamente um acordo de 1,2 biliões de dólares entre Trump e senadores democratas para financiar o governo até ao final deste ano. “Sou um aliado da Casa Branca; não lhes pertenço”, disse na altura ao mesmo canal. Em fevereiro, Lindsay Graham falava sobre novas sanções que seriam impostas contra a Rússia, mesmo sem qualquer sinal de que seriam aprovadas pela administração Trump e com o presidente, inclusive, deixando cair algumas já existentes sobre o petróleo russo, como forma de conter a subida dos preços do crude provocada pelo conflito com o Irão. Horas antes da sua morte, um comunicado assinado por Graham, Roger Wicker, também Republicano, e Richard Blumenthal e Jeanne Shaheen, dos Democratas, anunciava a luz verde ao bloqueio. “À medida que a Rússia intensifica o massacre de civis, é imperativo que os poderes legislativo e executivo trabalhem em conjunto para criar ferramentas que façam com que aqueles que compram petróleo e gás russos e alimentem a máquina de guerra de Putin paguem um preço elevado” dizia o comunicado, no qual os quatro senadores se diziam “muito satisfeitos com este progresso significativo”.Lindsay Graham morreu no dia seguinte a regressar daquela que foi a sua 10.ª visita à Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022. Numa publicação na rede social X, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou estar “profundamente entristecido com a notícia do falecimento” do senador, que definiu como “um verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro”. As fotografias do último encontro transmitem um pouco da proximidade já existente entre os dois, até com alguma descontração. “Mantivemos um diálogo constante e vou sentir falta das nossas conversas”, afirmou Zelenskyy.Para Donald Trump, Lindsay Graham foi “uma das melhores pessoas e dos melhores senadores que alguma vez conheci”, escreveu na sua rede social, Truth Social. “Estava sempre a trabalhar e era um verdadeiro patriota americano. Lindsey fará muita falta!!!”, concluiu. Segundo informações da rádio pública NPR, que teve acesso a uma chamada feita ao serviço de emergência médica da casa do senador, em Washington, Graham terá sofrido um ataque cardíaco.A morte de Lindsay Graham ocorre num momento difícil para a bancada republicana no Senado, que tem lutado para manter uma maioria apertada, com alguns membros que estão a abandonar o cargo e que ocasionalmente rompem com o partido para se oporem ao presidente. Justamente o que Lindsay Graham fazia, mas sem que isto afetasse a sua posição junto do ocupante da Casa Branca.caroline.ribeiro@dn.pt.Lindsey Graham, senador apoiante de Trump, morre subitamente aos 71 anos .Trump pôs em risco maioria no Senado na ânsia de se livrar dos republicanos “desleais”