O Ministério dos Negócios Estrangeiros desmentiu o secretário dos Estados Unidos Marco Rubio, que, em declarações à imprensa norte-americana, disse que Portugal era um dos países que tinham ajudado mesmo antes de isso lhes ter sido solicitado na guerra no Médio Oriente.Marco Rubio questionou o sentido de os Estados Unidos fazerem parte da NATO na medida em que alguns países, como Espanha, não prestam ajuda no âmbito da guerra com o Irão, tendo, contudo, elogiado outros, como Portugal, que, segundo disse, ajudam antes mesmo de isso lhes ser pedido.“Quando se tem parceiros da NATO a negar o uso destas bases - quando a principal razão pela qual a NATO é boa para os Estados Unidos nos está a ser negada pela Espanha, por exemplo - qual é o propósito da aliança?”, questionou Rubio. “Há países na NATO que nos foram muito úteis. Destaco apenas um, Portugal. Eles disseram 'sim“ antes mesmo de lhes dizermos qual era o assunto”, acrescentou.O Ministério dos Negócios Estrangeiros reafirma que “o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”. “A declaração do Secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, acrescenta em comunicado divulgado na quinta-feira, 14 de maio, o ministério tutelado por Paulo Rangel.Já esta sexta-feira, 15, o ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou que o Governo defende a soberania nacional e age respeitando os “mecanismos legais aplicáveis à utilização do território nacional”.Esta posição foi assumida na intervenção de abertura do debate desta manhã em plenário, agendado pelo PCP, sobre soberania nacional e defesa da paz, depois de o secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, a propósito das declarações do secretário de Estado norte-amercano, ter defendido que Portugal deve “romper com o coro da loucura da guerra” e que o país não é “um apêndice dos EUA e da NATO, mesmo que o governo e Marco Rubio achem outra coisa”.O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, defendeu que Portugal tem como eixos estruturantes da sua política externa a União Europeia, a NATO e a CPLP, argumentando que “esta clareza estratégica” é “crucial e imprescindível” num “sistema internacional marcado por uma enorme tensão geopolítica”.Abreu Amorim afirmou que “no plano das relações externas, o Governo garante que Portugal atua e atuará sempre à luz do Direito Internacional e dos compromissos que assumiu com os seus aliados, assim como no quadro da defesa intransigente da nossa soberania nacional”.“O Governo português continuará a agir com prudência, responsabilidade e no absoluto respeito pelos mecanismos legais aplicáveis à utilização de quaisquer forças e do território nacional”, frisou.*com Lusa.Rangel considera que utilização das Lajes pelos EUA tem sido ínfima