O líder da CDU, Friedrich Merz, viu esta quarta-feira a moção que apresentou para limitar a imigração na Alemanha ser aprovada por uma curta margem - 348 votos a favor, 345 contra e dez abstenções - de deputados, uma vitória só conseguida graças ao apoio do partido de extrema-direita AfD. Esta moção não é vinculativa, mas pressiona o governo a agir no que diz respeito à imigração e mostra o que se poderá esperar após as legislativas antecipadas de 23 de fevereiro, que as sondagens apontam que serão ganhas pela CDU. Uma outra proposta, também apresentada pelos democratas-cristãos e que abrangia medidas sobre a retenção de dados e reforço dos serviços de informação, foi chumbada. Os dois documentos foram apresentados na sequência de um ataque levado a cabo no dia 22 em Aschaffenburg por requerente de asilo afegão rejeitado, e no qual morreram duas pessoas. Merz, criticado por estar a preparar-se para quebrar o cordão sanitário contra a extrema-direita se for eleito chanceler, garantiu no debate desta quarta-feira que se as suas moções tivessem o apoio da Alternativa para a Alemanha (AfD), o que veio a acontecer, isso o deixaria “extremamente desconfortável”, que ver “deputados da AfD a aplaudir e a sorrir será insuportável”, mas que “uma decisão correta não se torna errada só porque as pessoas erradas concordam”. Mas garantiu que não pretende cooperar com a extrema-direita ou formar um governo de coligação com a AfD após as eleições.Antes, o chanceler Olaf Scholz, do SPD, já havia considerado que a abertura da CDU para aprovar propostas com o apoio da AfD será “um erro imperdoável”, lembrando que “sempre houve um consenso claro entre todos os democratas” sobre o cordão sanitário à extrema-direita. E lembrou ainda a situação na Áustria, referindo que a queda do cordão sanitário abre caminho para que partidos de extrema-direita se juntem ao governo. Contados os votos da primeira moção apresentada por Merz, esta acabou por só ser aprovada graças aos votos da AfD, ficando assim esta quarta-feira marcada como a primeira vez na história do Parlamento federal alemão que uma proposta apoiada pela extrema-direita foi adotada, segundo a Deutsche Welle. Alice Weidel, colíder da AfD, considerou este “um dia histórico para a Alemanha, uma vitória para a democracia”, enquanto que Rolf Mützenich, líder parlamentar do SPD, falou num “ponto de viragem”, acusando a CDU de “quebrar o centro político”. Quanto ao seu conteúdo, esta moção não-vinculativa está dividida em cinco pontos e pede ao governo para reintroduzir permanentemente o controlo de fronteiras, bloquear “todas as tentativas de entrada ilegal no país” mesmo que solicitem proteção, dar prioridade à detenção e deportação de pessoas legalmente obrigadas a deixar o país, atribuir mais fundos para a aplicação das leis de migração a nível estatal e, finalmente, reforçar as restrições de residência para aqueles que aguardam para deixar o país. Segundo o The Guardian, o texto da moção acusa a AfD de “usar os problemas, preocupações e medos causados pela migração ilegal em massa para incitar a xenofobia e espalhar teorias da conspiração”, crítica que não impediu o apoio do partido.Friedrich Merz anunciou que a CDU vai apresentar esta sexta-feira no Parlamento um projeto-lei sobre imigração, o qual incluirá regras sobre reagrupamento familiar, sublinhando não esperar que este seja aprovado graças à AfD, mas sim que tenha o apoio de alguns partidos tradicionais.