Membros do Governo sérvio e militares homenageiam criminoso de guerra Ratko Mladic. União Europeia condena
Membros do Governo sérvio, militares e familiares participaram este sábado, 5 de setembro, numa cerimónia em Belgrado em homenagem ao criminoso de guerra Ratko Mladic, dois dias antes do seu enterro na capital sérvia.
Ratko Mladic morreu na semana passada, aos 84 anos, em Haia (Países Baixos), onde cumpria pena de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia na década de 1990.
Os seus restos mortais, transportados para a Sérvia num avião do governo, foram recebidos em Belgrado na quinta-feira com honras militares.
O caso está a causar mal-estar entre o Governo sérvio, liderado pelo populista Aleksandar Vucic, e a União Europeia, além de ter motivado outras críticas, como do Conselho da Europa.
O antigo líder militar sérvio bósnio será sepultado num cemitério de Belgrado na segunda-feira, num funeral que poderá ser assistido por milhares de pessoas, apesar da condenação internacional.
Cerca de 300 pessoas assistiram à cerimónia num local militar em Belgrado, organizada por uma associação de generais do exército sérvio que ainda estão ativos ou reformados, relatou a agência AFP. Ex-soldados, o filho Darko Mladic e outros membros da família estavam presentes.
O ministro da Justiça sérvio, Nenad Vujic, o presidente da entidade sérvia da Bósnia, a Republika Srpska (RS), Sinisa Karan, e dois ministros sérvios da Bósnia também estiveram presentes.
Dezenas de apoiantes de Ratko Mladic reuniram-se em frente à Casa do Exército Sérvio no centro de Belgrado, mas tiveram de permanecer no exterior. Alguns agitavam bandeiras ou usavam t-shirts com uma fotografia de Mladic em uniforme de guerra, com a inscrição "Herói Sérvio".
Durante a cerimónia, oradores elogiaram o papel de Mladic durante a guerra na Bósnia e na Croácia, descrevendo-o como uma "figura proeminente, tanto como homem como soldado".
As atrocidades cometidas durante a guerra sob o comando de Ratko Mladic valeram-lhe a alcunha de "carniceiro da Bósnia" na imprensa internacional.
Foi condenado em Haia por genocídio pelo seu papel no massacre de Srebrenica em julho de 1995, o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que ceifou a vida a cerca de oito mil homens e rapazes muçulmanos.
Apesar das condenações, ainda é considerado um herói por alguns sérvios, especialmente na Republika Srpska, onde a sua morte foi marcada por vigílias e comícios.
A receção que as autoridades sérvias promoveram aos restos mortais de Ratko Mladic foi condenada pela União Europeia, que criticou a “glorificação” de um criminoso de guerra.
A comissária europeia responsável pelo processo de alargamento, Marta Kos, cancelou na sexta-feira a visita que tinha prevista a este país, candidato à adesão à UE desde 2012, embora as autoridades mantenham proximidade em relação à Rússia.
“Ratko Mladic foi condenado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A glorificação em torno da sua morte é incompatível com os valores sobre os quais a UE foi construída”, e esses valores “são inegociáveis”, escreveu a representante do executivo comunitário numa mensagem publicada nas redes sociais.
O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, um político nacionalista e próximo de Moscovo, classificou a posição da UE “estúpida, como de costume”.
“A explicação foi muito breve, mas estúpida, como de costume. Fala da 'glorificação' do general Ratko Mladic, mas não diz quem glorificou o que quer que seja”, afirmou o líder sérvio à imprensa, segundo a radiotelevisão pública RTS.

