Os mediadores encarregues pela Alemanha e França de negociar um futuro avião caça europeu (FCAS) não chegaram a um acordo para desbloquear o projeto, no qual também participa a Espanha.De acordo com a edição deste sábado do jornal económico alemão Handelsblatt, citada pelas agências internacionais de notícias EFE e AFP, "os mediadores não chegaram a um acordo"."É provável que na próxima semana o projeto franco-alemão seja enterrado, a menos que o chanceler [Friedrich] Merz volte a mudar de opinião após as pressões do presidente francês, [Emmanuel] Macron", lê-se na edição do jornal, que lembra que no final de março, o chanceler expressou a sua confiança de que o FCAS pudesse avançar, depois da nomeação de dois mediadores da França e da Alemanha.Os mediadores tinham a missão de apresentar um plano para desbloquear a situação em abril, mas "ao que parece, haveria até dois relatórios com resultados distintos", indicou o Handelsblatt.O jornal diz que o chanceler alemão "tenciona inteirar-se este fim de semana antes de se reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron, no final da próxima semana", aludindo à próxima cimeira de líderes europeus, prevista para quinta-feira, 23 de abril.O Futuro Sistema Aéreo de Combate é um dos projetos estratégicos mais relevantes para a Europa.O projeto tem sido marcado por tensões entre os parceiros industriais, especialmente entre a Dassault Aviation e a Airbus, devido à repartição de responsabilidades e liderança no desenvolvimento do novo caça europeu de sexta geração.Em causa estão os desacordos persistentes entre a Dassault Aviation, em representação da França, e a Airbus, que representa a Alemanha e a Espanha.Se a mediação não conduzir a um resultado viável, então "o FCAS, na sua forma atual, fracassou", declarou à AFP o deputado da CDU Volker Mayer-Lay, acrescentando que a Alemanha e a França deveriam então concentrar-se no desenvolvimento de caças distintos."A fase de hesitação não pode prolongar-se", acrescentou.O programa SCAF foi lançado em 2017 para substituir os Rafale e os Eurofighter utilizados pela Alemanha e pela Espanha, representando um investimento global de cerca de 8 mil milhões de euros..Macron defende endividamento europeu para financiar investimentos estratégicos