Israel suspende entrada de ajuda na Faixa de Gaza. Hamas classifica decisão como "crime de guerra"
HAITHAM IMAD/EPA

Israel suspende entrada de ajuda na Faixa de Gaza. Hamas classifica decisão como "crime de guerra"

O Hamas exigiu a implementação da segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, criticando a proposta norte-americana de uma trégua até meados de abril, aceite por Israel.
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Israel anunciou este domingo a suspensão da ajuda à Faixa de Gaza, após ter denunciado a recusa do Hamas em aceitar os termos dos EUA para prolongar a primeira fase do cessar-fogo no enclave palestiniano, que expirou no sábado.

"Após o fim da primeira fase do acordo de reféns, e à luz da recusa do Hamas em aceitar o 'esquema Witkoff' para continuar as negociações com as quais Israel concordou, o primeiro-ministro Netanyahu decidiu que, a partir desta manhã, todo o fluxo de bens e mantimentos para a Faixa de Gaza cessará", anunciou o gabinete de Benjamin Netanyahu, referindo-se à proposta do enviado especial dos Estados Unidos (EUA), Steve Witkoff.

O Governo Israelita não adiantou detalhes sobre a decisão, segundo várias agências de notícias internacionais, mas avisou que "se o Hamas continuar a sua recusa, haverá mais consequências".

O Hamas classificou a decisão de Israel como "crime de guerra", considerando que é uma "violação do acordo" de tréguas.

"A decisão de [primeiro-ministro israelita Benjamin] Netanyahu de suspender a ajuda humanitária é uma chantagem mesquinha, um crime de guerra e uma violação flagrante do acordo" de tréguas, disse o movimento islamita palestiniano, apelando aos "mediadores da comunidade internacional para que pressionem" Israel a recuar nesta decisão.

Também este domingo, o Hamas exigiu a implementação da segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, criticando a proposta norte-americana de uma trégua até meados de abril, aceite por Israel.

"A recente declaração do gabinete de [o Presidente israelita Benjamin] Netanyahu confirma claramente que o ocupante continua a fugir aos acordos que assinou", disse o líder do Hamas.

"A única forma de alcançar a estabilidade na região e o regresso dos prisioneiros é concluir a implementação do acordo (...) começando pela implementação da segunda fase", disse Mahmoud Mardaoui.

"É nisso que insistimos e não vamos recuar", acrescentou o dirigente, num comunicado.

A primeira fase do cessar-fogo entre Israel e o movimento radical palestiniano Hamas terminou no sábado, sem um acordo sobre uma segunda fase, que deveria levar ao fim definitivo da guerra e à libertação de todos os reféns.

No sábado, o Governo israelita aprovou uma proposta dos Estados Unidos sobre uma trégua em Gaza durante o Ramadão e a Páscoa Judaica, anunciou o gabinete de Netanyahu.

"Israel adota o plano do enviado do Presidente americano Steve Witkoff para um cessar-fogo temporário nos períodos do Ramadão e da Pessah", a Páscoa judaica, refere um comunicado do gabinete de Netanyahu.

A festa muçulmana do Ramadão decorre até finais de março e a Páscoa judaica será celebrada em meados de abril.

O plano do enviado de Trump para o Médio Oriente prevê que "metade dos reféns (israelitas capturados pelo Hamas), mortos ou vivos" sejam libertados no primeiro dia da trégua proposta, com a libertação dos restantes a acontecer "no final, se for alcançado um acordo sobre um cessar-fogo permanente", adianta o comunicado do governo israelita.

Segundo o gabinete de Netanyahu, o enviado norte-americano apresentou o plano depois de chegar à conclusão que as posições do Hamas, que governa a Faixa de Gaza, e de Israel são irreconciliáveis no imediato e que um período intercalar suplementar é necessário para dar tempo à negociação de um cessar-fogo permanente.

O comunicado adianta ainda que Israel está pronto para iniciar "imediatamente" negociações "sobre todos os detalhes do plano Witkoff" se o Hamas "mudar de posição e aceitar o princípio em que assenta a proposta.

Horas depois, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a aprovação do envio de cerca de quatro mil milhões de dólares (3,85 mil milhões de euros) em ajuda militar a Israel.

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