"Masoquismo coletivo". Montenegro pede na ONU o fim da crise "insensata" dos combustíveis
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, discursou em Nova Iorque perante a Assembleia-Geral das Nações Unidas para pedir o fim das circunstâncias que estão a causar a crise energética, que considerou ser resultado de um "masoquismo coletivo".
"A crise energética e a escalada dos preços dos combustíveis que enfrentamos devido a conflitos internacionais afetam todos os nossos povos. Todos, todos mesmo são prejudicados", frisou Montenegro no seu discurso.
Para o primeiro-ministro, é importante "encerrar este capítulo", tendo lembrado a situação que se viveu no início da década de 70, quando membros árabes da Organização dos Países Produtores de Petróleo colocaram um embargo ao comércio petrolífero com os países que apoiaram Israel na chamada guerra do Yom Kippur.
"Todos temos de aprender com as lições da crise dos anos 70 e evitar o que então aconteceu", sublinhou o chefe do Governo, que apelou ao fim dos conflitos que se arrastam e a que se encontre "formas complementares de mitigar o impacto" da crise.
"É a minha convicção que seria também benéfico discutir o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo", sublinhou Montenegro, acrescentando que "não faz sentido estarmos todos tão dependentes do fator especulativo e da volatilidade dos mercados financeiros e futuros que fazem incidir o seu efeito a toda a produção".
Eleito para o Conselho de Segurança, Portugal quer aumentar os membros permanentes
O discurso de Luís Montenegro foi também o primeiro do chefe do Governo desde que Portugal foi eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, em junho deste ano -- cargo que assumirá no início de 2027.
Uma das "bandeiras" que Portugal leva para o órgão é a de torná-lo "mais representativo", tendo o primeiro-ministro defendido a abertura de lugares permanentes para "África, Brasil e a Índia" e pedindo mais destaque para a língua portuguesa.
"A partir de janeiro, Portugal levará para o Conselho de Segurança como membro não-permanente, uma vocação global e uma cultura de diálogo e de construção de pontes", continuou Montenegro, dizendo que o seu país.
O primeiro-ministro definiu as três principais linhas de ação para a atuação da diplomacia portuguesa no Conselho de Segurança: "prevenir, cooperar e proteger".
"Prevenir as crises e os conflitos com grande impacto humano", explicitou, sublinhando que Portugal sabe que estes são mais do que os que têm destaque "nas notícias" e que a diplomacia deve dar atenção a todos.
"Cooperar e desenvolver as nossas parcerias num conselho mais transparente, representativo e mais democrático; E proteger a dignidade humana, combatendo a pobreza", concluiu o primeiro-ministro.
Solução de dois estados, fim da guerra na Ucrânia e equilíbrio na inteligência artificial
Montenegro deixou ainda no seu discurso a posição da diplomacia portuguesa sobre os vários temas mais prementes a serem discutidos nesta reunião da Assembleia Geral, incluindo os vários conflitos internacionais no Médio Oriente e na Europa, assim como o “novo desafio da inteligência artificial”.
Sobre este tema, Montenegro defendeu que se encontre “o equilíbrio virtuoso entre a inovação e regulação, que permita aproveitar o seu potencial a favor da humanidade, mas que evite o desvirtuar da nossa essência”.
Já face ao Médio Oriente, o líder defendeu o fim da “tragédia humanitária” e a solução de dois estados – “Israel e Palestina a coexistirem como dois estados soberanos, em paz e em segurança". Luís Montenegro pediu ainda o fim da “atuação agressiva do Irão” e do “bloqueio ao estreito de Ormuz”, com “passagem segura e isenta de portagens”.
“Na Europa, temos de alcançar uma paz justa e duradoura que faça cessar a agressão brutal e ilegal da Rússia contra a Ucrânia”, continuou, sublinhando que o país “é um parceiro que tem tido todo o apoio de Portugal e da União Europeia”.
“A magnitude dos desafios exige respostas coletivas”, afirmou o primeiro-ministro, que frisou que “as Nações Unidas devem continuar a ser o centro do sistema multilateral”.
“Nós vamos conseguir e deixar aos que estarão aqui a seguir a nós um mundo melhor”, concluiu.


