Mark Carney garante que EUA beneficiarão de aproximação do Canadá à UE
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, garantiu esta quinta-feira (29 de outubro) que os EUA beneficiarão da diversificação das parcerias comerciais do Canadá, apesar das críticas do Presidente norte-americano, Donald Trump, à aproximação com a União Europeia (UE).
"Um Canadá mais forte é um melhor parceiro para todos", afirmou Carney, numa declaração aos jornalistas em Montreal, onde decorre hoje e sexta-feira uma cimeira entre o Canadá e a União Europeia.
"Para o conseguirmos, temos de diversificar as nossas parcerias com parceiros de confiança", acrescentou Carney, garantindo que "os Estados Unidos verão os benefícios" dessa estratégia.
As declarações surgem num contexto de tensões comerciais entre Otava e Washington, depois de Trump ter criticado duramente o reforço das relações entre o Canadá e o bloco europeu.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participam na cimeira de dois dias, destinada a aprofundar a cooperação comercial, económica e de defesa entre as duas partes.
O encontro procura reforçar os laços transatlânticos numa altura em que o Canadá e a UE procuram reduzir a dependência económica e estratégica dos Estados Unidos, perante as mudanças na política comercial e externa norte-americana.
Carney, que anteriormente descreveu o Canadá como "o mais europeu dos países não europeus", tem defendido uma aproximação sem precedentes às instituições comunitárias.
A aproximação a Bruxelas integra a estratégia do Governo canadiano para diversificar os mercados de exportação e reforçar as relações com parceiros considerados fiáveis, num contexto de crescente incerteza nas relações comerciais com Washington.
O presidente do Conselho Europeu manifestou neste dia apoio à proposta de Ursula von der Leyen para conceder o estatuto de “membro associado” da UE ao Canadá, quer se utilize esse termo ou outro.
Num discurso no Conselho das Relações Internacionais de Montreal, à margem da cimeira, António Costa salientou que, nessa reunião, Bruxelas e Otava vão estabelecer “uma aliança para o futuro” e criar uma “associação cada vez mais estreita”.

