O tribunal de segunda instância confirmou a condenação de Marine Le Pen, ex-líder do partido de extrema-direita Frente Nacional (hoje Reagrupamento Nacional, RN), bem como de outros dirigentes, por desvio de dinheiros públicos. Mas a confirmação da condenação foi acompanhada de um aligeirar das penas, em especial a respeitante à inelegibilidade, abrindo a porta à quarta candidatura de Marine à presidência francesa. A hipótese de fazer campanha com pulseira eletrónica não está afastada, mas a líder de facto do RN crê ter condições para se apresentar aos eleitores. Há dias foi taxativa, ao afirmar que não seria possível candidatar-se nesse cenário.Marine Le Pen continua a afirmar-se inocente. O tribunal de recurso decidiu de outra forma e condenou-a a 45 meses de inelegibilidade, dos quais 30 meses com suspensão da pena, a três anos de prisão, dos quais dois com pena suspensa, e a uma multa de 100 mil euros. .“Como tenho a possibilidade de recorrer, o que não era necessariamente o caso das outras situações, e como o recurso suspende os efeitos da decisão, vou fazer campanha sem pulseira eletrónica.”Marine Le Pen.Em entrevista à TF1, afirmou que “dois tribunais podem enganar-se” e anunciou que vai recorrer para a instância superior, na qual a sentença será definitiva. E, como o recurso suspende os efeitos da condenação, como a própria lembrou, afirmou ser a candidata do RN à sucessão de Emmanuel Macron. “Sou candidata às eleições presidenciais e não vou mudar de ideias.” Mesmo se a condenação transite em julgado? “Já não há qualquer cenário em que eu não possa candidatar-me em 2027”, sentenciou, atirando para os eleitores o julgamento popular através do voto. “Os franceses vão ter a liberdade de escolher. Eles terão a última palavra.”.“Marine Le Pen toma a democracia como refém. A sua candidatura, apesar da condenação, é mais uma reviravolta que mina a confiança dos franceses na política.”Othman Nasrou, secretário-geral d'Os Republicanos.Marine Le Pen já pode ser candidata porque a pena de inelegibilidade foi encurtada e o tempo da condenação já foi cumprido. Mas a pena de prisão, que é substituída pelo uso da pulseira eletrónica, não foi cumprida. Se não recorresse, a medida restritiva seria aplicada em breve e, na prática, um ano de prisão corresponde a seis meses de pulseira eletrónica — portanto estaria livre para fazer campanha a partir de janeiro. A primeira volta das eleições está marcada para 18 de abril. .“A conclusão é que Marine Le Pen foi duas vezes considerada culpada de desvio de dinheiros públicos, roubados aos contribuintes. Portanto, é uma delinquente.”Boris Vallaud, líder parlamentar do PS.Ao recorrer para o tribunal supremo (Tribunal de Cassação), arrisca ter de cumprir a medida durante a campanha — e, caso fosse eleita, a exercer o mais alto cargo da república francesa com esse dispositivo de controlo. Mas a filha de Jean-Marie Le Pen não tem quaisquer dúvidas de que não irá ter acoplada a si a pulseira eletrónica. Há dias, em entrevista ao canal LCI, considerou que, “quando se é candidato à presidência, é preciso ser totalmente livre nos movimentos”, pelo que, perante o cenário da pulseira eletrónica, afirmou que não poderia ser candidata. .“O que é saudável para a democracia é que o presidente da República não comente as decisões judiciais, por isso vou manter-me por esta abordagem.”Emmanuel Macron.Antes de Le Pen anunciar o recurso, a procuradora-geral junto do tribunal de recurso de Paris, Marie-Suzanne Le Quéau, disse que também iria analisar a decisão para ver se há motivos para recorrer para o Tribunal de Cassação. Os juízes deste órgão já disseram que, se fossem chamados a pronunciar-se sobre o processo, iriam deliberar perto do final do ano..Contagem decrescente para o veredicto que dita o futuro de Le Pen (e Bardella)."Sou candidata às presidenciais". Marine Le Pen diz que avança para 2027