Marcha do orgulho LGBT+ junta milhares em Paris preocupados com extrema-direita
Várias dezenas de milhares de pessoas desfilaram este sábado, 3 de outubro, em Paris numa marcha do orgulho das pessoas LGBT+ (lésbicas, gays, bissexual, transgénero e outros), que demonstraram inquietação face ao crescimento da extrema-direita, a meses das eleições presidenciais de 2027.
De acordo com a agência France-Presse (AFP), enquanto agitavam bandeiras arco-íris e usando colares de flores, alguns manifestantes transportavam cartazes com frases contra o partido de Marine Le Pen, Rassemblement National (RN), podendo ler-se mensagens como "Estes fascistas irritam-me" ou "Menos RN, mais lésbicas".
"Na luta e agora na marcha, às urnas, cidadãos!", disse Alexandre Schon, co-presidente da Inter-LGBT, que reúne cerca de meia centena de associações e organizou a manifestação em Paris, antes do início da marcha.
A manifestante Aurélie Féru disse que a "raiva deve transformar-se numa vitória, porque o discurso de ódio e a discriminação contra pessoas trans, casais do mesmo sexo e profissionais do sexo estão a multiplicar-se", afirmou, sublinhando que, mesmo sendo heterossexual, quis manifestar apoio às pessoas LGBT+.
No mesmo sentido, Célestin Roby disse que quer que "as pessoas LGBT saibam que não estão isoladas” e que podem contar com pessoas que “não são afetadas pela discriminação”.
“É importante sermos visíveis antes de um período que será difícil para nós, com a extrema-direita em França, mas também na Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal, países que partilham o objetivo comum de atacar pessoas trans para essencializar as mulheres”, disse Anaïs Perrin-Prevelle, presidente da OUTrans, uma associação de defesa das pessoas transgénero, à AFP.
Na marcha estiveram também presentes diversas figuras políticas de esquerda, incluindo o presidente da Câmara de Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, a deputada do Partido Verde pela capital, Sandrine Rousseau, e figuras do La France Insoumise (LFI, esquerda radical), incluindo o seu candidato presidencial, Jean-Luc Mélenchon.
As marchas do Orgulho LGBT+ são organizadas localmente por associações em toda a França, geralmente em junho, em ligação com os motins de Stonewall, um evento crucial para o movimento LGBT+, que ocorreram na noite de 27 para 28 de junho de 1969, na cidade de Nova Iorque.
Este ano, a marcha foi adiada para outubro devido à onda de calor com temperaturas próximas dos 40°C que atingiu a França em junho.
No ano passado, a manifestação parisiense atraiu 500 mil participantes, segundo os organizadores, enquanto a polícia estimou a multidão em menos de 100 mil pessoas.

