A Coreia do Norte anunciou esta segunda-feira, 9 de março, o cancelamento da Maratona Internacional de Pyongyang, agendada para 5 de abril de 2026, foi noticiado pela Lusa. A decisão foi divulgada pela operadora turística Koryo Tours, parceira do evento, sem que, até ao momento, o regime de Kim Jong-un tenha apresentado qualquer explicação oficial para esta suspensão.A Federação Norte-Coreana de Atletismo notificou os parceiros internacionais sobre o cancelamento inesperado. No seu site, a Koryo Tours, operadora de turismo exclusiva ligada ao evento, refere que a decisão é definitiva e que "alguns motivos" foram citados para justificar a decisão, mas sem qualquer elaboração técnica ou logística.E é também esta fonte que cita que a ordem partiu de um "nível superior ao dos organizadores", o que afasta os tais problemas técnicos (como o estado das estradas). Da análise desta expressão, e cruzando dados com a monitorização habitual do portal NK News, da Coreia do Sul, depreende-se que a decisão terá sido tomada diretamente pelo círculo de poder de Kim Jong-un e aponta para motivações de segurança nacional ou estratégia política.O "risco" da exposição de 2025O cancelamento ocorre após o sucesso da edição de 2025, a primeira após a pandemia. Na altura, o país recebeu cerca de 200 estrangeiros. Contudo, o cruzamento de dados de redes sociais e relatórios (traduzidos para inglês) da Yonhap News, a principal agência noticiosa da Coreia do Sul, indica que a presença de influenciadores digitais e a circulação de imagens não-controladas de Pyongyang podem ter causado desconforto ao regime.Especialistas consultados pelo grupo 38 North, segundo noticiado pela NK News, da Coreia do Sul, sugerem que esta "contaminação cultural" pode ter levado as autoridades a reavaliar os benefícios do turismo Ocidental face aos riscos de exposição do país.A análise das movimentações diplomáticas recentes, reportadas pelo The Korea Times, sugere também um isolamento seletivo. A Coreia do Norte tem estreitado laços quase exclusivos com a Rússia.Neste contexto, o cancelamento de um evento que atrai cidadãos de 40 países (muitos deles Ocidentais) pode sinalizar uma prioridade estratégica: fechar portas ao Ocidente para se focar em delegações de países aliados, consideradas mais "seguras" para o regime.Tensões em abrilUm outro fator a considerar é que abril é um mês sensível devido ao "Dia do Sol" (aniversário de Kim Il-sung). Historicamente — como é referido em notícias da Reuters sobre eventos passados e resulta do cruzamento com artigos da Yonhap News —, cancelamentos súbitos nesta época podem estar associados a preparativos para demonstrações de força militar ou a preocupações sanitárias internas não-reveladas, como aconteceu na altura da pandemia de covid-19.Em suma, o que as notícias e os dados disponíveis permitem concluir é que o cancelamento da Maratona de Pyongyang é um sinal claro de que a tímida "abertura" ensaiada em 2025 foi agora travada. O regime parece ter pesado os prós e os contras e decidiu que, por agora, o isolamento é a opção mais segura, isto é, que o controlo total se sobrepõe à necessidade de divisas estrangeiras.