Ursula von der Leyen anunciou esta quarta-feira, 14 de janeiro, que Bruxelas tenciona dividir o empréstimo de 90 mil milhões de euros aprovado no Conselho Europeu de dezembro para a Ucrânia em um terço (30 mil milhões) para o orçamento geral de Kiev e dois terços para gastos em defesa. Este apoio financeiro conta com a cooperação de 24 dos 27 países do bloco comunitário - Hungria, Eslováquia e República Checa decidiriam ficar de fora. Estes 60 mil milhões para equipamento militar serão utilizados principalmente para comprar equipamento à UE e aos países da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre), adiantou a alemã, sendo permitido a Kiev comprar armas estrangeiras caso estas não estejam imediatamente disponíveis na Europa.Quanto ao apoio orçamental de 30 mil milhões, visa também ajudar a Ucrânia a modernizar o país, sendo que o investimento está condicionado a reformas, incluindo a aproximação do país à adesão à UE, com a presidente do executivo comunitário a sublinhar que estas condições são inegociáveis para qualquer apoio financeiro.“Hoje, a Rússia não mostra qualquer sinal de recuo. Sem sinal de remorso. Sem sinal de procurar a paz. Pelo contrário”, referiu Ursula von der Leyen. “Todos queremos a paz para a Ucrânia. E para isso, a Ucrânia precisa de estar numa posição de força”. Os 90 mil milhões de euros deste empréstimo serão pagos à Ucrânia em 2026 e 2027 de forma a cobrir as necessidades orçamentais do país nestes dois anos e serão isentos de juros para Kiev, que só terá de reembolsar o valor do empréstimo se receber reparações pós-guerra da Rússia. No entanto, deverá custar aos contribuintes do bloco entre 3 e 4 mil milhões de euros por ano em custos de financiamento a partir de 2028 - este apoio será financiado através de empréstimos comuns da UE nos mercados de capitais e garantido pela margem orçamental do bloco UE, tal como acontece com outros programas de assistência financeira à Ucrânia. “A União reserva-se o direito de utilizar os ativos russos imobilizados na União para o reembolso do empréstimo, em plena conformidade com o direito da UE e o direito internacional”, recordou ontem Ursula von der Leyen.Agora é preciso que haja um acordo sobre o texto final da proposta a tempo de fazer o primeiro pagamento a Kiev em abril, altura em que se prevê que esgotem as reservas de guerra ucranianas. Segundo o Politico, as reuniões entre representantes do Tesouro e da Defesa da UE estão agendadas para sexta-feira e o Parlamento Europeu poderá aprovar o empréstimo em regime de urgência na próxima semana.Rússia descarta cessar-fogoO enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro do presidente de Donald Trump, Jared Kushner, estão a tentar marcar um novo encontro em Moscovo com o presidente russo, Vladimir Putin, segundo noticiou esta quarta-feira a Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto. A reunião poderá ainda realizar-se este mês, mas a situação no Irão pode ditar a alteração da data. Depois de se terem encontrado com Putin em dezembro, o objetivo de Witkoff e Kushner para esta nova reunião é apresentar ao presidente russo a versão mais recente da proposta de paz, mas também abordar as garantias de segurança a Kiev acordadas pela Coligação dos Dispostos num cenário pós-guerra e a reconstrução da Ucrânia.Uma fonte da Casa Branca disse à Bloomberg que nenhuma reunião deste tipo estava agendada no momento, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros russo lembrou ontem que Putin já declarou repetidamente estar aberto a discussões sérias sobre a paz na Ucrânia. Sergei Lavrov acrescentou que falar de cessar-fogo antes de um acordo completo não é sério e que, nesse sentido, seria útil que os EUA informasse a Rússia sobre as propostas mais recentes.Parlamento aprova novos ministrosO parlamento ucraniano aprovou esta quarta-feira a nomeação de Mykhailo Fedorov como ministro da Defesa e Denys Shmyhal como ministro da Energia e primeiro vice-primeiro-ministro. De recordar que Fedorov ocupou os cargos de vice-primeiro-ministro e de ministro da Transformação Digital nos últimos seis meses antes de substituir Shmyhal. Já este tinha tutelado a Defesa também nos últimos seis meses e, antes disso, liderado o governo entre março de 2020 e julho de 2025. A aprovação desta remodelação governamental proposta por Zelensky só foi conseguida à segunda, depois de no dia anterior o nome de Shmyhal para a Energia ter falhado por 16 votos. Fedorov, de 34 anos, afirmou que irá promover reformas para modernizar e fortalecer o exército ucraniano. .Putin chama “porquinhos” aos líderes europeus na véspera de reunião crucial para a UE .Conselho Europeu chega a acordo para apoio de 90 mil milhões de euros à Ucrânia