Emmanuel Macron fez esta segunda-feira, 13 de julho, o seu décimo e último discurso às Forças Armadas francesas na véspera do Dia da Bastilha, tendo deixado manifesto o seu apoio à Ucrânia e apelado de forma incisiva à mobilização europeia. Palavras com especial significado já que horas depois deste discurso recebeu no Eliseu uma reunião de líderes da Coligação dos Dispostos.“Em poucos anos, teremos construído novas capacidades na Europa e orquestrado um despertar estratégico”, afirmou o presidente francês, que deixará o Eliseu em maio de 2027, sublinhando que “nesta névoa de guerra, a França não está sozinha”, enumerando as parcerias e os acordos de cooperação que Paris estabeleceu com outros países. Na opinião de Macron, “a Europa está a tornar-se uma potência que se apoia nos seus Estados-membros - respeitando as suas decisões soberanas -, mas que está empenhada em defender-se e agir em unidade”, afastados dos “nacionalismos que durante muito tempo a consumiram”, talvez aludindo a que o seu sucessor no Eliseu poderá ser de extrema-direita.“A mensagem que enviamos ao mundo é esta: sim, a paz é o nosso objetivo; sim, prezamos a liberdade e o Estado de Direito; sim, estamos prontos para lutar em defesa deles sempre, e à custa de sangue, se necessário”, prosseguiu Emmanuel Macron, garantindo que é defensor de uma “linha clara de não beligerância”.O presidente francês dedicou grande parte do seu discurso de cerca de 30 minutos a elogiar os aumento expressivo do investimento em defesa dos últimos dez anos. “Estabeleci um objetivo claro e mensurável: alcançar um nível de gastos em defesa equivalente a 2% da riqueza nacional até 2025”, declarou Macron, referindo-se ao seu primeiro discurso às Forças Armadas, em 2017. “Essa promessa foi cumprida.”Mas disse acreditar que é necessário investir mais no rearmamento. “Lançamos uma economia de guerra, mas será suficiente? Não”, declarou. “Reconhecemos a necessidade” deste rearmamento, prosseguiu, “para tomar as decisões necessárias e continuar a apoiar a Ucrânia na defesa do seu território, da sua soberania e da sua liberdade, e, por extensão, da nossa segurança na Europa”.“Devemos continuar a investir mais, utilizando recursos públicos europeus e nacionais, bem como capital privado. Precisamos de inovar. As empresas do setor precisam de se habituar a assumir maiores riscos”, insiste.Neste capítulo, Macron declarou “profundo pesar” pelo fracasso do SCAF, um projeto de uma aeronave entre Paris e Berlim cujo módulo principal foi descartado há algumas semanas devido a divergências entre a francesa Dassault e a alemã Airbus sobre que companhia assumiria a liderança. “Estaríamos errados em parar por aqui, e estaríamos errados em pensar que as realidades de hoje permanecerão válidas daqui a dez, 15 ou 20 anos, e que não surgirão concorrentes”.Olhando para o futuro, Macron abordou ainda a questão do apoio aos militares e aos seus familiares, apelando a que tal apoio estatal “não seja posto em causa, sobretudo por medidas cegas de corte de despesas que tanto prejudicaram as nossas Forças Armadas há alguns anos”.Emmanuel Macron terminou o seu discurso com uma nota mais especial, tendo em conta que foi a última vez que se dirigiu nestes moldes às Forças Armadas francesas. “Quero reafirmar aqui a minha determinação. A minha gratidão. E o meu orgulho de ter estado ao vosso lado desde 2017. É a minha maior fonte de orgulho. Têm a minha confiança”.Esta terça-feira serão também as últimas celebrações do Dia da Bastilha presididas por Macron, e vários media franceses, citando fontes oficiais, apontam que este será o desfile com a maior participação de sempre. De recordar que o 14 de julho é o feriado nacional de França e marca o aniversário da tomada da prisão da Bastilha em 1789. Segundo o Ministério das Forças Armadas de França, o desfile desta terça-feira - que poderá ser visto no seu percurso habitual de cerca de dois quilómetros, entre o Arco do Triunfo e a Praça da Concórdia - tem como tema o “Despertar Estratégico da Europa”, e pretende destacar o empenho das forças armadas e das forças de segurança interna, ilustrando a sinergia entre elas na proteção da nação e dos seus aliados.Números avançados pelo mesmo ministério apontam para a participação de 6686 militares (um efetivo 15% superior ao de 2025), além de 315 veículos, 98 aviões, 33 helicópteros (um aumento de 30% no número de veículos e aeronaves participantes) e 193 cavalos da Guarda Republicana. O evento começa com dois caças Mirage 2000 pilotados por tripulações conjuntas francesas e ucranianas, sendo que uma das aeronaves irá ostentar as cores azul e amarela da bandeira da Ucrânia. É ainda esperado que cerca de 500 militares que representam os países da Coligação dos Dispostos, cujos líderes estiveram reunidos ontem em Paris, participem no desfile. Aeronaves da Alemanha, do Reino Unido, da Croácia, da Dinamarca, de Espanha, da Grécia, de Itália, da Noruega, da Polónia e da Suécia também deverão participar neste evento. Uma grande operação de segurança, envolvendo 7000 polícias e gendarmes e 2000 bombeiros, vai ser mobilizada hoje em Paris e arredores para garantir a segurança durante as celebrações do Dia da Bastilha, mas também para evitar tumultos durante o jogo da meia-final do Mundial de futebol entre França e Espanha, marcado para o início da noite..França vai aumentar número de ogivas. Macron anuncia uma "era de armas nucleares".Macron lança novo serviço militar para reforçar defesa francesa perante a ameaça russa.Macron quer orçamento da Defesa francesa com mais 6,5 mil milhões de euros até 2027