O luso-belga Joseph Figueira Martin, detido há cerca de dois anos na República Centro-Africana (RCA), foi esta terça-feira, 7 de abril, libertado e está a caminho de Lisboa num voo militar da Força Área, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, anunciou, na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas que o trabalhador humanitário foi esta terça-feira libertado e que chega também esta terça-feira a Lisboa, graças a um longo trabalho diplomático que ocorreu entre o ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o atual chefe de Estado, António José Seguro, os Governos português e belga e também a própria União Europeia.Joseph Figueira Martin, trabalhador humanitário luso-belga, foi raptado por mercenários do grupo Wagner, ligado à Rússia, quando cumpria uma missão na RCA ao serviço da organização não-governamental (ONG) norte-americana Family Health International 360, tendo sido posteriormente entregue às autoridades do país.Encontrava-se detido na RCA desde maio de 2024 e tinha sido condenado em novembro de 2025 a 10 anos de trabalhos forçados por conspiração criminosa e tentativa de minar a segurança do Estado..Luso-belga condenado a 10 anos de trabalhos forçados na República Centro-Africana. Em janeiro, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que pedia o envio de uma missão de eurodeputados para “verificar a situação” do cidadão luso-belga detido na República Centro-Africana, apelava à imposição de “sanções específicas” ao país e reiterava o pedido de “libertação imediata e incondicional” que já havia formulado em julho.Antes, a família do luso-belga tinha relatado as "terríveis condições de detenção" e as "inúmeras infeções, geradas pelas torturas que sofreu”, alertando que o seu estado de saúde se estava "a deteriorar consideravelmente".Segundo a família, Joseph foi alvo de um processo judicial “iníquo, marcado por múltiplos problemas processuais”, pelo que pedia que se encontrasse "uma solução” para permitir que regressasse a casa e “encontre o seu filho, que deixou com apenas um mês para partir em missão, e a sua mãe, que se encontra desde o final do ano em cuidados paliativos”.Joseph Martin Figueira foi detido em maio de 2024 e enfrentava inicialmente seis acusações, incluindo conspiração, espionagem e incitamento ao ódio, por alegados contactos com grupos armados em Haut-Mbomou, uma região assolada por confrontos entre grupos rebeldes, para onde tinha sido enviado pela Family Health International 360 num projecto de combate à pobreza e violência de género.Na decisão em que foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados, a 04 de novembro passado, foi estipulado o pagamento ao Estado centro-africano, que se constituiu como parte civil no processo, de uma indemnização no valor de 50.000 francos CFA (cerca de 75.000 euros) para compensar o prejuízo sofrido devido aos meios financeiros, logísticos e até políticos fornecidos a grupos armados, explicou então um dos advogados da parte civil.