Lula da Silva e Pedro Sánchez em Barcelona
Lula da Silva e Pedro Sánchez em BarcelonaEPA/ANDREU DALMAU

Lula da Silva elogia política migratória do Governo espanhol

Presidente brasileiro e primeiro-ministro de Espanha reforçam mensagem de paz “enquanto uns abrem feridas” durante cimeira em Barcelona.
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O Presidente brasileiro, Lula da Silva, elogiou esta sexta-feira, 17 de abril, a política de regulação dos migrantes por parte do Governo espanhol, liderado por Pedro Sanchéz.

“Os milhares de brasileiros que escolheram a Espanha como lar estão contribuindo para a prosperidade deste país”, disse o chefe de Estado brasileiro, ao lado de Pedro Sanchéz, em Barcelona, no seu primeiro dia de viagem pela Europa que terminará em Lisboa em 21 de abril.

“A política espanhola de regularização migratória reconhece essa contribuição”, sublinhou Lula da Silva, recordando o acordo de cooperação consular assinado esta sexta-feira entre os dois pais.

Esse acordo, sublinhou, vai “fortalecer a assistência” aos brasileiros.

De acordo com dados de 2025 do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, cerca de 161.944 brasileiros residem em Espanha.

O Governo espanhol aprovou na terça-feira um decreto que permite iniciar de imediato o processo de regularização extraordinária de meio milhão de imigrantes, anunciado pelo executivo no final de janeiro.

Os elogios de Lula da Silva ao Governo espanhol contrastam com as preocupações que o Governo brasileiro demonstrou com a nova lei da nacionalidade portuguesa, que será um tema tratado como "assunto delicado" e de "interesse" pelo Presidente brasileiro com o seu homólogo português, António José Seguro, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na visita a Portugal, na terça-feira.

A Assembleia da República portuguesa aprovou, no passado dia 01 de abril, um novo decreto de revisão da lei da nacionalidade e de um novo diploma de alteração ao Código Penal, que preveem como pena acessória a perda da nacionalidade, diplomas reapreciados pelo parlamento depois de as primeiras versões terem tido normas chumbadas pelo Tribunal Constitucional.

Segundo o secretário de Europa e América do Norte do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Roberto Abdalla, o tema "é um assunto delicado" e "há sim um interesse da parte brasileira de tratar deste assunto".

"Obviamente, é um assunto delicado, e que há, sim, o interesse da parte brasileira de tratar desse assunto, porque persistem desafios decorrentes das mudanças recentes na lei de imigração por parte Portugal", declarou.

Lula da Silva está nesta semana para Europa, com passagem por Espanha, Alemanha e depois por Portugal, no dia 21 de abril, onde vai se encontrar com o primeiro-ministro Luís Montenegro, e com chefe de Estado português, António José Seguro.

Na agenda com Montenegro, explicou Roberto Abdalla, serão tratados temas de cooperação nas áreas de ciência, de tecnologia e de inovação, além de aeronáutica.

"Muito provavelmente [haverá] diálogos sobre discriminação, xenofobia e outras formas de discriminação", adiantou.

Já no primeiro encontro oficial entre Lula da Silva e Seguro, o embaixador explicou que os dois poderão tratar sobre assuntos "de interesse da comunidade brasileira" e da segurança internacional.

Será a quarta visita de Lula da Silva a Portugal neste mandato, ocasião em que estará acompanhado da presidente da Petrobras, e uma comitiva de ministros das áreas de meio ambiente, economia, minas e energia, tecnologia, indústria e comércio.

Lula e Sanchéz reforçam mensagem de paz “enquanto uns abrem feridas”

Pedro Sánchez e Lula da Silva reforçaram esta sexta-feira a mensagem de que querem trabalhar pela paz, numa altura em que “uns abrem feridas”.

“Enquanto uns abrem feridas, nós queremos curá-las, fechá-las, reduzir a desigualdade e dar resposta aos grandes desafios da humanidade”, disse o líder do Governo espanhol, Pedro Sánchez, durante uma conferência de imprensa em Barcelona, ao lado do chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que iniciou esta quarta-feira a sua vista à Europa e que termina na terça-feira, em Lisboa.

Sánchez afirmou que defender a paz não é apenas a ausência de guerra, mas sim uma condição que torna possível tudo o resto, e que a paz e os seus valores estão a ser atacados pela vaga reacionária e de autoritarismo que ameaça a solidez das instituições.

Também Lula da Silva reforçou que “o Brasil e Espanha estão na mesma trincheira”.

“Meu caro amigo Pedro Sánchez, eu entendo perfeitamente quando você diz ‘não à guerra”, afirmou o Presidente brasileiro, recordando que quando assumiu pela primeira vez a presidência, em 2003, os Estados Unidos pediram que o Brasil participasse na guerra no Iraque e que o Brasil rejeitou.

“Lutamos por uma sociedade justa, onde todos possam ter uma vida plena. Trabalhamos para reduzir desigualdades dentro dos países e entre eles. Queremos um mundo onde a soberania e as regras do multilateralismo sejam respeitadas”, sublinhou, durante a primeira cimeira bilateral entre Brasil e Espanha.

O Palácio de Pedralbes, em Barcelona, acolheu esta sexta-feira o encontro bilateral, no qual foram assinados 15 acordos de cooperação entre os dois países, entre os quais sobre minerais críticos e o combate à violência contra as mulheres.

No sábado, os dois líderes vão participar, também em Barcelona, da 4.ª Cimeira em Defesa da Democracia, com a presença de numerosos países e cerca de uma dúzia de líderes, incluindo a Presidente do México, Claudia Sheinbaum, o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Decorre durante dois dias a chamada Global Progressive Mobilisation, que reúne mais de uma centena de partidos progressistas de todo o mundo e mais de 3.000 participantes para defender os direitos humanos, a igualdade e a paz, e sublinhar que existe uma alternativa às políticas conservadoras.

Um evento cujo encerramento, no sábado, contará com intervenções do chefe do Governo espanhol e de Lula da Silva.

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