“Loucura total” no regresso a casa de britânico que deu a volta ao mundo a andar durante 28 anos
A 1 de novembro de 1998, Karl Bushby partiu de Punta Arenas, no Chile, a cidade mais a sul do continente sul-americano, e esta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, regressou finalmente a casa da mãe, no norte de Inglaterra, depois de 28 anos a dar a volta ao mundo a caminhar.
“Por onde tens andado?”, perguntou-lhe ela abraçando-o no final daquela que foi a derradeira etapa desta aventura. Não se viam há 10 anos e a resposta dele será longa já que nestes últimos 28 anos percorreu um total de 58 mil quilómetros, atravessou quatro continentes, passou por 29 países, percorreu o gelo do Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, e nadou pelo Mar Cáspio e pelo Canal da Mancha, segundo avançam as agências noticiosas. Também enfrentou um urso polar, foi ameaçado com uma arma, foi detido no Panamá e deportado da Rússia após entrar no país de forma ilegal.
Esta segunda-feira, na praça da Rainha Vitória, em Hull, Inglaterra, uma multidão aguardava Karl Bushby para a reta final do percurso. "Isto é uma loucura total", comentou. “Desculpem a demora. Já foi há muito tempo” disse, segundo descreve o jornal The Guardian, tendo pedido que lhe indicassem o caminho até casa da mãe, Angela, onde esta o aguardava com a restante família, nomeadamente o filho, Adam, que viu apenas algumas vezes durante a viagem, e a neta, de 12 anos, que ainda não conhecia.
Karl Bushby, um ex-paraquedista, tinha 29 anos quando saiu de casa a pé em direção a uma base da Royal Air Force perto de Oxford e apanhou um voo para a América do Sul, para dar início à sua caminhada, seguindo duas regras: não regressar a casa até ter concluído totalmente o seu feito e não utilizar nenhum transporte para avançar.
A ideia veio depois de receber um cartão de aniversário do pai, em meados dos anos 1990. Veterano do exército, o pai contava-lhe da discussão entre os seus colegas das forças especiais sobre a possibilidade de caminhar de Londres a Nova Iorque pela ponte terrestre de Bering, que alguns cientistas acreditam ter sido utilizada pelos primeiros humanos para migrar da Ásia para as Américas numa época de níveis do mar mais baixos.
Sedento de aventura, Karl Bushby começou a planear a viagem, que achou que conseguiria completar em 12 anos. Afinal, foram necessários 28, tendo terminado agora quando já conta com 57 anos. Um feito notável, sobretudo para alguém que não gosta de caminhar, como admitiu ao The Guardian. “É um tédio infernal”, justificou. Mas, segundo explicou à BBC, passou apenas cerca de 15 dos 28 anos a caminhar, regressando ao México periodicamente para resolver questões relacionadas com vistos, logística ou patrocínios e divulgação.
“A bondade de tantos desconhecidos, desde indivíduos a nações inteiras, trouxe-me hoje de volta aqui. Não o fiz sozinho. Havia uma grande equipa. A maior equipa. A do mundo”, afirmou na chegada a casa. “Foi uma semana de últimas vezes”, disse. “O último dia na tenda. O último dia na estrada. Ao fim de 28 anos, não se pode pedir mais do que isto. Estes são os últimos passos, quase até casa da minha mãe”, acrescentou, pegando pela última vez no carrinho de duas rodas que empurrou ao longo do percurso.
Ficou tudo registado num documentário realizado pelo cineasta alemão Werner Herzog que estreará em breve. Além disso, está previsto que agora entre em digressão para falar sobre a aventura em conferências.

