Leão encontrou-se com Macron no Eliseu numa visita "apostólica" não "de Estado".
Leão encontrou-se com Macron no Eliseu numa visita "apostólica" não "de Estado".TERESA SUAREZ / POOL

Leão XIV chegou à França laica para uma visita enquanto "discípulo de Cristo"

Avião aterrou em Orly às 10h00 na hora local e o papa foi recebido pelo presidente francês. Sinos das igrejas do país tocaram todos à chegada.
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O papa Leão XIV chegou esta sexta-feira, 25 de setembro, a França para uma visita de quatro dias ao país, a primeira de um pontífice em 18 anos e na qual deverá visitar o santuário de Lourdes e encontrar-se com Emmanuel Macron, presidente francês.

O avião papal aterrou por volta das 10h00 hora local (9h00 em Lisboa) no aeroporto de Orly, nos arredores de Paris. Apesar de ter sido recebido por Macron e de se ter encontrado com ele no Palácio do Eliseu, a visita, segundo o jornal católico francês La Croix, é meramente “apostólica” e não “de estado”, pelo que não tem honras tais como um jantar diplomático.

De acordo com o órgão noticioso FranceInfo, os sinos de todas as igrejas francesas tocaram ao mesmo tempo que o avião aterrava, incluindo os da reconstruída Catedral de Notre-Dame.

Apesar de ser a primeira visita papal desde o incêndio e subsequente reconstrução de parte da icónica catedral, o jornal La Croix informou que o Vaticano terá rejeitado uma visita conjunta a Notre Dame com Macron devido ao apoio do presidente à lei da eutanásia, a que a igreja se opõe. 

Ainda assim, a visita deverá incluir uma missa vespertina em Notre-Dame, passando ainda por outros locais importantes para a igreja em França, tais como o santuário católico de Lourdes ou a cidade de Metz. Leão deverá ainda dar uma missa perante um número previsto de 600 mil fiéis na praça da Concórdia, em Paris, de acordo com a France Info.

No avião, o papa disse aos jornalistas que o acompanhavam na comitiva que iria a França “tal como a qualquer outro lugar do mundo, antes de mais nada como discípulo de Jesus Cristo, com a vontade de anunciar a paz de Cristo por todo o mundo”, noticiou o La Croix.

Para Macron, a primeira visita papal da sua Presidência surge na fase final do seu mandato, com as eleições de maio de 2027 a trazerem, obrigatoriamente, um novo presidente francês e o descontentamento com o mandato do atual chefe de Estado, especialmente com as suas políticas económicas.

"Para um presidente da República como Macron, que se encontra no final do seu mandato, pode ser importante estar ao lado do papa e aproveitar parte da sua popularidade. Não é nada de novo", contou à Associated Press Charles Mercier, diretor de estudos de História e Sociologia do catolicismo na Universidade EPHE de Paris

Entre os assuntos que Leão e Macron deverão discutir, incluem-se questões como a inteligência artificial, as alterações climáticas ou mesmo as dos cuidados do fim de vida e de proteção das crianças, destaca a AP.

Para além da divergência quanto à eutanásia, o direito ao aborto, integrado na Constituição francesa em 2024, também é um ponto de tensão entre o Estado francês, institucionalmente laico, e a Igreja Católica.

Ainda assim, o diretor do órgão noticioso da igreja Vatican News, Andrea Tornielli defendeu que "Leão não chega à Ville lumière para condenar ninguém, nem para entrar de cabeça no debate político francês, que está polarizado como em qualquer outro país da Europa".

"Ele vem como Pastor para encontrar um povo, sua história e sua cultura. Vem para encorajar aqueles que não se rendem à desumanidade", sublinhou.

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