O presidente do Partido Popular e líder da oposição em Espanha, Alberto Núñez Feijóo
O presidente do Partido Popular e líder da oposição em Espanha, Alberto Núñez FeijóoEPA/ANDREU DALMAU

Líder do PP de Espanha admite governo com extrema-direita

Alberto Núñez Feijóo disse não descartar uma coligação pós-eleitoral do Vox se essa aliança permitir tirar os socialistas do poder.
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O presidente do Partido Popular de Espanha (PP, direita) e líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, confirmou esta sexta-feira que formará governo com o Vox, de extrema-direita, se essa aliança permitir tirar os socialistas do poder.

"O meu primeiro objetivo é que Sánchez saia do Governo", disse Feijóo, referindo-se ao primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez.

Espanha vai ter eleições legislativas antecipadas em 29 de novembro, com as sondagens a darem a vitória ao PP, mas sem maioria absoluta, que conseguiria numa coligação com o Vox.

Numa entrevista esta sexta-feira à rádio Cadena Ser, o presidente do PP disse não descartar uma coligação pós-eleitoral do Vox.

"Não posso descartar aquilo que me mandam fazer os espanhóis. Se me mandam completar a maioria e, portanto, dar estabilidade ao governo com a maior força democrática do meu país, eu sou um democrata. Já o fizemos em regiões autónomas porque assim pediram os cidadãos de Extremadura, da Andaluzia, de Aragão e de Castela e Leão", afirmou.

O PP fez coligações governamentais com o Vox nestas quatro regiões este ano, na sequência de eleições regionais que venceu sempre mas sem maioria absoluta.

Os acordos regionais com o Vox ficaram marcados por estabelecerem, por imposição do partido de extrema-direita, um princípio de "prioridade nacional" para o acesso a serviços e apoios públicos, o que, se se transformar em leis, se traduz numa discriminação de imigrantes.

Feijóo defendeu esta sexta-feira que os pactos com o Vox são transparentes e que o PP impôs várias linhas vermelhas nos acordos, sem especificar.

O líder do PP defendeu que é preciso abrir uma nova etapa no país" após oito anos de governos de Sánchez, considerando que foram de "decadência e certa delinquência", com diversos casos judiciais a envolver pessoas próximas do líder socialista.

Na entrevista desta sexta-feira, Feijóo revelou que, se for investido primeiro-ministro, pretende reabrir o debate sobre um aspeto da lei do aborto relacionado com a possibilidade de menores de 16 anos recorrem à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) sem conhecimento ou autorização dos pais.

Por outro lado, disse que acabará com o Ministério da Igualdade.

O PP, liderado por Feijóo, foi o partido mais votado nas anteriores eleições legislativas espanholas, em julho de 2023.

Já então negociou uma aliança com o Vox, mas os dois partidos não elegeram deputados suficientes para uma maioria absoluta no parlamento e Pedro Sánchez acabou por ser reinvestido primeiro-ministro por uma geringonça de oito forças políticas em novembro daquele ano.

Como há quatro anos, o PSOE e os partidos à esquerda dos socialistas têm centrado a campanha atual nos "avanços sociais" que consideram terem sido conquistados nos últimos oito anos e que dizem estar ameaçados se a extrema-direita entrar no governo.

Os socialistas têm dado como exemplo algumas medidas adotadas nos governos regionais onde está o Vox, como critérios para atribuir apoios a iniciativas culturais.

"Em democracia, a alternância é interessante, é boa e é saudável. O problema é que quando metes o Vox na equação muda tudo e já não falamos de alternância, falamos de retrocesso", disse Sánchez, na quinta-feira à noite, num programa da televisão TVE.

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