Brasil e Argentina vivem por estes dias a maior crise diplomática de que há memória, segundo a imprensa dos dois países, na sequência da presença de Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL) que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Houve troca de insultos e convocação oficial do embaixador brasileiro em Buenos Aires e do embaixador argentino em Brasília. No evento, que decorreu em São Paulo durante o fim de semana, o presidente argentino chamou o homólogo brasileiro, Lula da Silva, de “ladrão” e “presidiário” e Alexandre de Moraes, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) que relatou o processo da prisão de Jair Bolsonaro, de “lixo careca”. No dia seguinte, Dario Durigan, o ministro da economia do Brasil, apelidou Milei de “palhaço”.Durante o discurso no evento do PL, Javier Milei, além de chamar Lula de “presidiário” e de “ladrão”, afirmou que o candidato do Partido dos Trabalhadores e principal rival de Flávio nas eleições de 4 de outubro seria o responsável por espalhar o que classificou como “socialismo da pobreza” pela América Latina.Ao atacar Alexandre de Moraes, o chefe de estado argentino, que chegou a dançar com Flávio no palco, reagiu à negativa do juiz do STF em permitir que visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.Após a convenção, Milei voltou a atacar o governo brasileiro em entrevista à rádio argentina Mitre ao dizer que o Brasil financiaria 25% de uma suposta campanha anti-argentina, sem, porém, apresentar provas.Como resposta, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil convocou o embaixador do país na Argentina, Julio Bitelli, a prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países. E, na sequência, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimundi, a explicar o discurso do presidente argentino. Chamar um embaixador em missão no estrangeiro é considerado uma medida dura nas relações internacionais.“É grave e inaceitável o presidente da Argentina vir a território brasileiro e fazer esse tipo de manifestação grosseira, foi uma interferência em assuntos domésticos”, disse Mauro Vieira, ministro dos Negócios Estrangeiros, ainda no domingo. E o presidente do STF, Edson Fachin, considerou as declarações de Milei "desrespeitosas".Já nesta segunda-feira, 27, Dario Durigan, ministro da Economia, afirmou em entrevista que “o palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem”. “Ele falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou à Rádio Jornal, de Pernambuco. O diário argentino La Nación, entretanto, noticiou que o governo Milei "não vai pedir desculpas – muito menos o presidente". O Clarín chamou de “inédita na história democrática” uma crise como esta “em que um presidente insulta um chefe de Estado no próprio país dele”. A crise diplomática preocupa ambos os países porque Brasil e Argentina são os dois maiores parceiros comerciais da América do Sul e têm forte integração na Mercosul, mercado comum da região. .“Argentina está entre os países do G20 que mais vão crescer”