O Kremlin manifestou esta quarta-feira, 28 de janeiro, abertura para organizar uma reunião entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia, desde que o encontro tenha lugar em Moscovo. A disponibilidade foi confirmada por Yuri Ushakov, conselheiro de política externa de Vladimir Putin, que garantiu condições de segurança para o chefe de Estado ucraniano.“Se Zelensky estiver realmente disposto a reunir-se, então convidamo-lo a vir a Moscovo”, afirmou Ushakov à televisão russa, citado pela agência EFE, acrescentando que a Rússia asseguraria “todas as condições necessárias para [Zelensky] trabalhar”. Segundo o responsável, esta possibilidade foi discutida várias vezes em contactos telefónicos entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que terá pedido a Moscovo que analisasse seriamente essa opção.O conselheiro sublinhou, no entanto, que “o mais importante é que estes contactos estejam bem preparados e conduzam a resultados positivos”. Abertura ucraniana para reuniãoAs declarações do Kremlin surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andry Sibiga, ter afirmado que Volodymyr Zelensky está disponível para se reunir com Putin, com o objetivo de desbloquear os principais pontos das negociações de paz.Putin e Zelensky encontraram-se apenas uma vez desde que o líder ucraniano assumiu a presidência, num encontro realizado em Paris, em dezembro de 2019, com a mediação de França e Alemanha, ainda antes . Zelensky já recusou anteriormente deslocar-se a Moscovo e também rejeitou a hipótese de uma reunião em Budapeste, devido às tensões com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, um aliado do Kremlin. “Progresso” em Abu DhabiEntretanto, o Kremlin classificou como “um progresso” as negociações a três bandas sobre a Ucrânia, com mediação norte-americana, que tiveram lugar na semana passada em Abu Dhabi. O porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, afirmou que o simples início de contactos diretos já representa um avanço, embora tenha alertado que “seria um erro esperar resultados significativos imediatos”, relata a EFE.A questão territorial continua a ser um dos principais entraves. Moscovo insiste que não declarará um cessar-fogo enquanto as forças ucranianas não abandonarem o Donbass, onde Kiev ainda controla mais de 20% da região de Donetsk.De acordo com o reportado por alguns media internacionais, os Estados Unidos poderão estar a fazer depender a concessão de garantias de segurança a Kiev de uma eventual retirada ucraniana do Donbass.Apesar das divergências, ambos os lados descreveram as conversações recentes como construtivas. Segundo Zelensky, foram discutidos “possíveis critérios para o fim da guerra”..Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA em Abu Dhabi decorreram "com espírito construtivo", diz Kremlin