Andrii Sybiha, MNE da Ucrânia.
Andrii Sybiha, MNE da Ucrânia.EPA/SERGEY DOLZHENKO

Kiev critica levantamento de sanções a oligarcas russos

Paris pediu que bilionário próximo do Kremlin saia da lista de sancionados em troca de libertação de cidadãos detidos no Azerbaijão.
Publicado a
Atualizado a

Os 27 chegaram nesta segunda-feira a um acordo de princípio segundo o qual vão levantar as sanções económicas a dois oligarcas russos, o que foi recebido na capital ucraniana com críticas.

“A sua remoção da lista é inaceitável e enviaria um sinal errado a Moscovo numa altura em que a pressão deveria estar a aumentar”, alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, ainda antes do anúncio oficial do acordo. Segundo a AFP, alguns Estados escandinavos e bálticos opuseram-se ao pedido de retirada da lista de sancionados, mas acabaram por ceder.

Foi o governo eslovaco, liderado pelo populista Andrej Babis, que introduziu na agenda a retirada da lista de 3 mil sancionados dos nomes do usbeque-russo Alisher Usmanov e do russo Mikhail Fridman. Na semana passada, para espanto de muitos, a França também passou a defender que Usmanov, tido como próximo do Kremlin, fosse retirado da lista. Paris invocou “motivos de segurança nacional” perante os seus parceiros, sem mais explicações, segundo vários diplomatas europeus em Bruxelas citados pela AFP, alguns dos quais qualificaram o sucedido de “assombroso”.

Segundo o Financial Times, a explicação passa por um possível acordo que envolve a libertação de vários cidadãos franceses detidos no Azerbaijão. Este país, liderado com mão de ferro por Ilham Aliyev há mais de duas décadas, tinha feito uma campanha junto de políticos ocidentais para libertar Usmanov, descrevendo-o como um “filantropo renomado” que tinha criado ligações entre o Ocidente, a Ásia Central e o mundo turco em geral.

Sobre Fridman não há mais informações, exceto que foi o Luxemburgo que fez pedido similar ao francês.

“Usmanov e Fridman foram colocados nas listas de sanções porque fazem parte de um regime russo agressivo que trava uma guerra de conquista contra a Ucrânia. O que mudou? Nada”, notou o chefe da diplomacia ucraniano. Sybiha defendeu o oposto, apertar as sanções, para impedir “mais ideias contraproducentes destinadas a agradar os oligarcas russos”.

Andrii Sybiha, MNE da Ucrânia.
P&R. As sanções que já foram aplicadas à Rússia (e o seu impacto) com a UE a prometer mais
Andrii Sybiha, MNE da Ucrânia.
Rússia diz que lei de sanções dos EUA não ajuda nas negociações para a paz na Ucrânia
Diário de Notícias
www.dn.pt