Uma juíza federal do Minnesota recusou, este sábado 31 de janeiro, ordenar a interrupção da ofensiva de fiscalização de imigração do presidente Donald Trump em Minneapolis. A decisão, noticiada pela Reuters, surge no âmbito de um processo movido por autoridades estaduais que acusam os agentes federais de violações generalizadas dos direitos civis.A juíza Kate Menendez, do Tribunal Distrital dos EUA em Minneapolis, afirmou que o Gabinete do Procurador-Geral do Minnesota apresentou provas contundentes de que as táticas dos agentes -- incluindo tiroteios e indícios de discriminação racial -- estão a ter "consequências profundas e até dilacerantes para o estado do Minnesota, para as 'Twin Cities' e para os seus habitantes".No entanto, a magistrada -- nomeada pelo antigo presidente democrata Joe Biden -- salientou que um tribunal de recurso anulou recentemente uma injunção muito mais limitada que restringia as interações das autoridades de imigração (ICE) com manifestantes no estado. "Se essa injunção foi considerada excessiva, então a que está aqui em causa -- que paralisaria toda a operação -- certamente também o seria", escreveu Menendez.Contexto de violência e tensão políticaO processo judicial visa bloquear ou restringir uma operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) que enviou milhares de agentes para a área de Minneapolis-St. Paul. Esta mobilização desencadeou semanas de protestos e resultou na morte de dois cidadãos norte-americanos às mãos de agentes federais.O presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, co-autor da ação judicial, manifestou a sua desilusão, reiterando que a operação federal "nunca deveria ter tido lugar" na cidade. Por outro lado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, celebrou a decisão na rede social X, classificando-a como uma vitória "enorme" contra as chamadas políticas de "cidades santuário".Acusações de perseguição políticaO procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, acusou a administração Trump de visar o estado por motivos políticos, devido à sua inclinação democrata. Ellison denunciou que cidadãos estão a ser alvo de perfis raciais e que residentes legais têm sido detidos indevidamente durante horas.A administração defende que a operação visa apenas aplicar as leis federais de imigração, embora alguns funcionários tenham sugerido que o reforço policial terminaria se o Minnesota cedesse a certas exigências, como o fim das proteções legais para imigrantes sem documentos.A tensão na região atingiu o ponto crítico após a morte de Renee Good, baleada no seu carro por um agente federal a 7 de janeiro, e de Alex Pretti, morto por um agente da Patrulha de Fronteira a 24 de janeiro. Em ambos os casos, vídeos de telemóvel captados por transeuntes lançaram dúvidas sobre a tese de legítima defesa apresentada pelas autoridades federais, que se têm recusado a colaborar com as investigações policiais locais.