Civis mortos são enterrados durante o Cerco de Sarajevo em março de 1992.
Civis mortos são enterrados durante o Cerco de Sarajevo em março de 1992. Antoine GYORI/Sygma/Getty Images

Justiça austríaca confirma investigação sobre alegados ‘safaris humanos’ na Guerra da Bósnia

O crime que está a ser analisado pela Procuradoria de Milão é o homicídio múltiplo com as agravantes de "motivos abjetos" e "crueldade".
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A justiça austríaca está a investigar duas pessoas suspeitas de terem disparado sobre civis como atiradores durante o cerco de Sarajevo na Guerra da Bósnia (1992-1995), em operações conhecidas como "safari humano", também investigadas pela Procuradoria de Milão (Itália).

A informação foi hoje avançada por dois jornais vienenses, com base numa resposta do Ministério da Justiça austríaco a uma pergunta parlamentar da ex-titular do cargo, a deputada do Partido Verde, Alma Zadić.

"Desde 25 de abril de 2026 que uma procuradoria austríaca conduz uma investigação contra um cidadão austríaco e outro indivíduo, ainda não identificado, em ligação com o seu possível envolvimento nas chamadas 'rotas de atiradores' em Sarajevo durante a Guerra da Bósnia", respondeu o ministério, citado pelo jornal Der Standard.

Trata-se de uma investigação formal do Ministério Público, o que implica a existência de suspeitas bem fundamentadas de que os dois indivíduos sob investigação pagaram para que civis fossem fuzilados durante a Guerra da Bósnia.

Zadić realçou em comunicado que as alegações apontam para "crimes de guerra extremamente graves" que devem ser investigados minuciosamente.

"É difícil imaginar que pessoas tenham alegadamente pago para que civis, incluindo crianças, fossem deliberadamente fuzilados, dada a sua crueldade", salientou.

Mais de 11.000 pessoas, incluindo 5.500 civis e 1.600 crianças, foram mortas durante o cerco de quatro anos a Sarajevo pelas milícias sérvias da Bósnia e pelos paramilitares sérvios, que estavam sediados nas colinas em redor da cidade.

Os rumores de que os estrangeiros ricos pagaram grandes somas para participar nesta "caça ao homem" ressurgiram depois de o escritor e jornalista italiano Ezio Gavazzeni ter apresentado uma queixa ao Ministério Público de Milão, em novembro.

O crime que está a ser analisado pela Procuradoria de Milão é o homicídio múltiplo com as agravantes de "motivos abjetos" e "crueldade".

O Ministério da Justiça austríaco afirmou que as investigações no país não se baseiam nas descobertas de Gavazeni e, segundo o jornal Der Standard, a pista partiu de outra fonte dentro da Áustria.

Embora os líderes sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, tenham sido condenados em Haia a prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra, incluindo os relacionados com o cerco de Sarajevo, nenhum dos atiradores que perpetraram os massacres foi ainda condenado em tribunais bósnios ou internacionais.

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