Jornalista equatoriano conta na primeira pessoa invasão de estúdio por parte de criminosos armados
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Jornalista equatoriano conta na primeira pessoa invasão de estúdio por parte de criminosos armados

Ataque aconteceu na sequência de uma onda de violência generalizada no Equador, incluindo sequestros de polícias e colocação de explosivos em vários locais, depois de um dos chefes da fação ter fugido da prisão e de terem ocorrido motins em pelo menos seis prisões.
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Uma equipa do canal de televisão equatoriano TC Televisión foi esta terça-feira vítima de um ataque de um grupo criminoso, no meio de uma onda de violência generalizada no país, incluindo sequestros de polícias e colocação de explosivos em vários locais, depois de um dos chefes da fação ter fugido da prisão e de terem ocorrido motins em pelo menos seis prisões.

 O jornalista Jorge Rendón estava no ar quando começou a ouvir barulhos fora do estúdio, tendo inicialmente pensado que se tratava de uma discussão entre colegas. No entanto, o apresentador do programa Después del noticiero [Depois do Telejornal] percebeu minutos depois que estavam a ser vítimas de um ataque violento por parte de um grupo armado, que carregavam explosivos e espingardas e ameaçaram os funcionários da estação televisiva.

"Tem sido muito difícil. É realmente preocupante. O que aconteceu é terrorismo, é narcoterrorismo. E deve ser um alerta cada vez mais forte para toda a região latino-americana", afirmou Rendón, em declaração à BBC News Mundo.

"Estava a fazer uma transmissão em direto com a minha colega Vanessa Filella no momento do ataque. Primeiro ouvi alguns ruídos nos corredores da estação, fora do estúdo, e pensei: o que está a acontecer. Era raro. E o barulho estava a ficar cada vez mais alto. Quando fomos paa intervalo, o produtor e um diretor me avisaram pelo teleponto para fechar a porta, porque estavam a tomar conta do canal, e que havia gente armada a roubar", contou.

"Temos portas blindadas no estúdo, então fechámo-as com todas as nossas forças. Com isso, ganhámos algum tempo. Pedi à Vanessa para que ligasse para a família. Do lado de fora os agressores gritavam o meu nome, ameaçaram-nos que iriam disparar ou fazer explodir a porta, e os meus colegas colocaram-me num lugar seguro, onde eu podia ouvir tudo e ver um pouco. Os criminosos acabaram por entrar no estúdio. Era um grupo violento, armado até aos dentes", prosseguiu.

"Começaram a subjugar toda a gente, queriam que fizéssemos uma transmissão em direto e estavam à minha procura, mas os colegas disseram que eu tinha fugido. Estava muito assustado e rezei para que Deus nos protegesse. Eles começaram a sequestrar os meus colegas dentro do estádio e essas são as imagens que circulam pelo menos. Eles tinham tudo planeado. Foi um ato terrorista. Colocaram dinamite na lapela de um repórter e apontaram-lhe uma arma longa à cabeça dele. Insultaram-nos, disseram que nos iam matar. Um operador de câmera foi baleado e outro ficou com o braço partido", continuou.

"Quando a polícia chegou, cercou toda a estação e os grupos de inteligência táticas fizeram um plano. Os criminosos usaram os meus colegas como escudos humanos quando a polícia entrou no estúdio com escudos blindados. Os criminosos dispararam e lançaram um explosivo que partiu as janelas, colocando muitas pessoas em risco. Mas a polícia começou a cercá-los e conseguiu prender a grande maioria deles. Restagaram os meus colegas e conseguiram descobrir onde eu estava com outros colegas. Nesse momento, respirei aliviado. Estava muito nervoso", narrou.

"A intervenção durou quase duas horas. A polícia vasculhou o local para se certificar se havia mais criminosos escondidos lá dentro. Neste momento estamos fora do ar. O canal está suspenso por 48 horas porque os peritos e o Ministério Público continuam a trabalhar e a recolher provas. Encontraram armas e explosivos fora do estúdio. E nós, enquanto canal, estamos mais unidos do que nunca. Sabemos que é a nossa profissão, que há riscos, e vamos seguir em frente", acrescentou.

Este ataque faz parte de um plano terrorista que começou na Colômbia na década de 1980 e que tem como um dos objetivos dominar um canal de televisão. 

Esta onda de violência levou recém-eleito presidente equatoriano, Daniel Noboa, a declarar a existência de um "conflito armado interno" no Equador e a levar o Exército para as ruas, uma decisão sem precedentes na história do país.

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