A coligação da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, conquistou este domingo, 8 de fevereiro, uma histórica vitória eleitoral, com as projeções a darem-lhe até 328 dos 465 lugares na câmara baixa do parlamento. Um resultado que abre caminho à “dama de ferro” nipónica para avançar com as suas reformas, nomeadamente cortes de impostos e um aumento das despesas militares destinadas a conter a China.O Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi ultrapassou os 233 lugares necessários para a maioria em menos de duas horas após o fecho das urnas, juntando-lhe os votos do Partido da Inovação do Japão, o seu parceiro de coligação, conseguiram uma supermaioria de dois terços da câmara baixa, o que permitirá ao governo anular a votação na câmara alta, que não controla.“Esta eleição envolveu grandes mudanças políticas, particularmente uma grande mudança na política económica e fiscal, bem como o reforço da política de segurança”, afirmou Sanae Takaichi, de 64 anos, numa entrevista ao canal público NHK enquanto os resultados eram conhecidos. “Estas são políticas que atraíram muita oposição. Se recebemos o apoio do público, então devemos realmente enfrentar estas questões com todas as nossas forças”.O PLD, que tem dominado a política japonesa nas últimas quase oito décadas, tem enfrentado nos últimos anos problemas de financiamento e de confiança junto dos eleitores devido a escândalos internos relacionados com fundos de campanha - que levaram à demissão de ministros e à expulsão, suspensão e reprimendas de dezenas de deputados do partido. A juntar a isto, perdeu o controlo das duas câmaras do parlamento nas eleições dos últimos 15 meses, sob a liderança do antecessor de Takaichi no partido e no governo, Shigeru Ishiba.Já Sanae Takaichi, que assumiu a liderança do partido e do governo em outubro prometendo “trabalhar, trabalhar, trabalhar”, goza de uma grande popularidade entre os japoneses, tendo conquistado ainda com o seu estilo descontraído eleitores mais jovens, que antes não se interessavam pela vida política do país - a primeira-ministra deu origem à chamada “Sanaemania”, com a sua carteira preta e a sua caneta cor-de-rosa a tornarem-se um fenómeno de vendas.Face a este cenário, a primeira mulher a assumir a liderança de um governo no Japão anunciou no final de janeiro, cerca de três meses depois de chegar ao poder, que ia dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, na esperança de aproveitar a sua popularidade para o Partido Liberal Democrático recuperar a confiança dos eleitores e a maioria dos deputados. Uma aposta da qual saiu vencedora.Os resultados destas eleições foram seguidos com atenção nos Estados Unidos e na China, mas por razões diferentes. Donald Trump - que Takaichi, naquela que foi a sua estreia na diplomacia internacional, recebeu em Tóquio na digressão do presidente norte-americano pela Ásia em novembro - anunciou na quinta-feira que apoiava a líder nipónicas nas eleições deste domingo, dizendo que esta “já provou ser uma líder forte, poderosa e sábia, alguém que realmente ama o seu país”. “Ela não vai desiludir o povo do Japão!”, escreveu ainda Trump na Truth Social, revelando que receberá Takaichi na Casa Branca a 19 de março. Por outro lado, as relações com Pequim não são as melhores, depois de Takaichi ter dito em novembro que um ataque chinês a Taiwan poderia legalmente constituir uma “situação de ameaça à sobrevivência”, permitindo ao Japão exercer o direito de autodefesa coletiva. Os planos da primeira-ministra para aumentar os gastos em defesa também não agradam ao regime chinês. A China respondeu com várias medidas de retaliação, como o restabelecimento a proibição das importações de marisco japonês ou aconselhar os seus cidadãos a não viajarem para o Japão. “Considerarei a possibilidade de diálogo direto [com Xi Jinping], para que a posição do Japão seja devidamente compreendida”, disse a governante nipónica há duas semanas. .P&R. Takaichi aposta na popularidade para validar nas urnas a sua visão para o Japão