Polícia italiana anunciou a detenção esta terça-feira
Polícia italiana anunciou a detenção esta terça-feiraFacebook / Carabinieri

Itália detém 29 elementos de organização que explorava imigrantes

Grupo recrutava cidadãos da Índia, Paquistão e Bangladesh para trabalhar na agricultura sem qualquer contrato, sob a fachada de propostas de oportunidades noutras áreas, como a hotelaria.
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As autoridades italianas detiveram esta terça-feira 29 pessoas acusadas de pertencerem a uma organização que recrutava imigrantes de países como o Paquistão e o Bangladesh para trabalharem ilegalmente nos campos do país.

De acordo com a investigação, realizada pela Direção Antimáfia e o Ministério Público de Taranto, a organização obrigava os imigrantes a pagar pelo seu trabalho e até pelas suas próprias contribuições para a segurança social.

As detenções foram efetuadas pelos ‘carabinieri’ (polícia militar) nas províncias de Taranto, Lecce, Foggia, Matera, Campobasso, Ragusa (sul), Latina (centro), Milão e Verona (norte).

Todos os detidos são acusados de pertencerem a uma organização criminosa e de incitarem à imigração ilegal.

Os investigadores confirmaram a existência de “uma organização criminosa estável” que lucrava com o chamado “Decreto dos Fluxos”, o mecanismo através do qual o Governo italiano estipula anualmente o número máximo de imigrantes que podem entrar legalmente no país para trabalhar.

Esta rede recrutava pessoas no Paquistão, Bangladesh e Índia, oferecendo-lhes empregos em setores como a restauração, a hotelaria, a construção civil ou lojas de telemóveis, embora o verdadeiro destino fosse quase sempre outro: trabalhar sem contrato em empresas agrícolas.

A rede, referiram os investigadores, envolvia empresas destes setores, bem como intermediários que recrutavam estas pessoas e preparavam a documentação para a obtenção de vistos de trabalho.

Os estrangeiros “recrutados” tinham de pagar até 6.500 euros para obter uma autorização para poderem viajar para Itália, mas deste valor, cinco mil euros iam para o empregador colaborador, 1.000 euros para os traficantes e 500 euros para os outros intermediários.

Uma vez alocados a uma empresa agrícola, os trabalhadores eram também obrigados a suportarem as suas próprias contribuições para a segurança social.

“Isto criava uma situação paradoxal em que o empregado pagava ao dono da empresa”, escreveram os investigadores.

O sistema, afirmaram, lucrou com a vulnerabilidade económica e social dos aspirantes a trabalhadores estrangeiros, que vinham de “contextos de pobreza ou sem perspetivas de futuro”.

Todos “foram induzidos a fazer sacrifícios financeiros significativos, recorrendo frequentemente às poupanças familiares ou contraindo dívidas, para obter um visto de entrada ou manter uma autorização de residência. A esperança de uma vida melhor foi transformada num instrumento de lucro ilícito”, alega a investigação.

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