As autoridades italianas detiveram esta terça-feira 29 pessoas acusadas de pertencerem a uma organização que recrutava imigrantes de países como o Paquistão e o Bangladesh para trabalharem ilegalmente nos campos do país.De acordo com a investigação, realizada pela Direção Antimáfia e o Ministério Público de Taranto, a organização obrigava os imigrantes a pagar pelo seu trabalho e até pelas suas próprias contribuições para a segurança social.As detenções foram efetuadas pelos ‘carabinieri’ (polícia militar) nas províncias de Taranto, Lecce, Foggia, Matera, Campobasso, Ragusa (sul), Latina (centro), Milão e Verona (norte).Todos os detidos são acusados de pertencerem a uma organização criminosa e de incitarem à imigração ilegal.Os investigadores confirmaram a existência de “uma organização criminosa estável” que lucrava com o chamado “Decreto dos Fluxos”, o mecanismo através do qual o Governo italiano estipula anualmente o número máximo de imigrantes que podem entrar legalmente no país para trabalhar.Esta rede recrutava pessoas no Paquistão, Bangladesh e Índia, oferecendo-lhes empregos em setores como a restauração, a hotelaria, a construção civil ou lojas de telemóveis, embora o verdadeiro destino fosse quase sempre outro: trabalhar sem contrato em empresas agrícolas.A rede, referiram os investigadores, envolvia empresas destes setores, bem como intermediários que recrutavam estas pessoas e preparavam a documentação para a obtenção de vistos de trabalho.Os estrangeiros “recrutados” tinham de pagar até 6.500 euros para obter uma autorização para poderem viajar para Itália, mas deste valor, cinco mil euros iam para o empregador colaborador, 1.000 euros para os traficantes e 500 euros para os outros intermediários.Uma vez alocados a uma empresa agrícola, os trabalhadores eram também obrigados a suportarem as suas próprias contribuições para a segurança social.“Isto criava uma situação paradoxal em que o empregado pagava ao dono da empresa”, escreveram os investigadores.O sistema, afirmaram, lucrou com a vulnerabilidade económica e social dos aspirantes a trabalhadores estrangeiros, que vinham de “contextos de pobreza ou sem perspetivas de futuro”.Todos “foram induzidos a fazer sacrifícios financeiros significativos, recorrendo frequentemente às poupanças familiares ou contraindo dívidas, para obter um visto de entrada ou manter uma autorização de residência. A esperança de uma vida melhor foi transformada num instrumento de lucro ilícito”, alega a investigação.